Política

Vereador de Manacapuru se recusa a usar máscara e acaba na delegacia

O vereador Gerson Dangelo (PROS-AM) foi obrigado a usar máscara ao entrar em uma escola. Agora, ele quer a exoneração do diretor do colégio.

Na manhã de terça-feira (25), o vereador Gerson Dangelo (Republicanos-AM) foi impedido de entrar em um colégio do município de Manacapuru, por estar sem máscara. O auditório do local está sendo utilizado para sessões plenárias, já que a Câmara Municipal da cidade foi alagada pela cheia do Rio Negro. As informações são do Portal Em Tempo.

O caso aconteceu por volta das 7h45, na Escola Municipal Zoraida Ribeiro Alexandre. Ao tentar entrar no espaço, o vereador foi abordado por um dos porteiros, que pediu a Dangelo que utilizasse uma máscara. Segundo testemunhas, o vereador se recusou a pôr o equipamento de proteção, mesmo com a insistência do servidor da escola.

Nesse momento, chegava de carro o diretor do colégio, Jackson Azevedo, que viu de longe a confusão. “Ainda dentro do carro, vi o vereador gesticular com o segurança, que se aproximou do meu carro e bateu no vidro. Saí do veículo e, ao entender sobre o que se tratava, também pedi que ele colocasse uma máscara. Além de se recusar novamente, o vereador me mandou tomar ‘naquele lugar”, conta o gestor da escola.

Consternado com a situação, Jackson chamou a Polícia Militar de Manacapuru, e acusou o vereador de desacato ao servidor público. Gerson Dangelo estava sendo assistido por populares e outros vereadores, e, por se sentir constrangido, prometeu que no mesmo dia mandaria transferir o diretor da escola para outro lugar.

Por causa da confusão, o diretor da escola registrou boletim de ocorrência na delegacia do município. A PM marcou audiência para o dia 14 de junho, onde deve ouvir os envolvidos no caso.

Após a discussão, o vereador Gerson Dangelo conseguiu entrar na escola para participar da sessão da Câmara Municipal de Manacapuru. Sem máscara, ele se utilizou do plenário para pedir a exoneração do diretor da escola. O vídeo da sessão estava disponível no Facebook da Câmara, mas foi retirado do ar após repercussão do acontecido.

Gerson é considerado político de influência na cidade, por ser primo do prefeito. Após o acontecido, o diretor da escola Jackson Azevedo foi orientado a se afastar do cargo para ser aberta uma sindicância que possa apurar o ocorrido. O pedido foi feito pela Secretaria Municipal de Educação (Semed).

“O próprio secretário de educação e a advogada da Semed falaram comigo e pediram para que eu mesmo decida me afastar do cargo. Fiquei de responder, mas ainda estou pensando no que faço”, afirma Jackson Azevedo.

Defesa dos envolvidos

Em suas redes sociais, o vereador defendeu que, no momento da situação, estava do lado de fora da escola, por isso não utilizava máscara. Ele acusa o diretor do colégio de ter desatacado os vereadores.

“O vereador estava em área externa, antes da entrada na plenária, onde são cumpridas as medidas de segurança contra o vírus, mesmo que sua responsabilidade de utilização da máscara e outras medidas de segurança estivessem sendo cumpridas, foi durante insultado e constrangido pelos funcionários da Escola Municipal Zoraida Ribeiro Alexandre, que seguiam as orientações do referido senhor [diretor do colégio]”, Gerson Dangelo, vereador.

Apesar de sua defesa, o Em Tempo encontrou imagens do vereador sem máscara nas dependências do colégio onde está funcionando provisoriamente a Câmara. A reportagem tentou contato com o vereador, mas este não respondeu até o fechamento desta matéria.

Por sua vez, Jackson Azevedo agradeceu ao apoio recebido e criticou as atitudes do vereador Gerson Dangelo.

“Nunca o destratei e tenho testemunhas para isso. O senhor entrou na escola sem máscara e mesmo diante dos pedidos de nosso vigilante o senhor o mandou tomar naquele lugar […] o senhor deve desculpas não somente a mim, mas à toda a sociedade manacapuruense, pois em meio a tantas perdas, famílias ainda enlutadas pela perda de familiares, o senhor insistiu em não usar máscara e ainda nos ofendeu quando deveria dar exemplo”, Jackson Azevedo, diretor da escola.

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