Refugiado sírio é atacado em Copacabana: ‘Saia do meu país!’

Mohamed Ali vendia esfirras quando foi insultado
Mohamed Ali vendia esfirras quando foi insultado

Um refugiado sírio foi vítima de um ataque em Copacabana, na Zona Sul do Rio. Mohamed Ali, de 33 anos, que vende esfirras e outros quitutes árabes, e foi agredido verbalmente por um homem por causa do ponto de venda. Um vídeo da discussão foi publicado nas redes sociais e viralizou.

Nas imagens é possível ver um homem com dois pedaços de madeira nas mãos gritando: “saia do meu país! Eu sou brasileiro e estou vendo meu país ser invadido por esses homens-bombas que mataram, esquartejaram crianças, adolescentes. São miseráveis”. Adiante no vídeo, ele ainda fala: “Essa terra aqui é nossa. Não vai tomar nosso lugar não”.

Os comerciantes chegam a derrubar a mercadoria de Mohamed no chão, que pergunta o motivo da agressão. Os homens, então, falam novamente para ele sair do Brasil. Mohamed está no Brasil há três anos e estava trabalhando na esquina da Avenida Nossa Senhora de Copacabana com a Rua Santa Clara na sexta-feira, quando tudo aconteceu.

— Eu não entendi muito bem porque ele veio brigar comigo. De repente ele começou a gritar e me pedir para sair. Ele falava muito rápido e não consegui compreender algumas coisas. Outras pessoas que estavam traduzindo para mim. Sei que ele falou que os muçulmanos estavam invadindo o país e falando de homens-bomba. Não esperava que isso pudesse acontecer comigo. Vim para o Brasil porque a guerra me fez vir para cá. Vim com amor, porque os amigos sempre diziam que o Brasil aceita muito outras culturas e religiões, e as pessoas são amáveis e todos os refugiados procuram paz. Não sou terrorista, se eu fosse, eu não estaria aqui, estaria lá — disse.

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Posted by Mídia Independente Coletiva-MIC on Tuesday, August 1, 2017

No vídeo, ainda é possível ouvir algumas pessoas defendendo Mohamed. Uma mulher ainda o orientou a deixar o local diante da confusão. Ele, então, retira os pertences.

— Chegaram carros da polícia, da Guarda Municipal. Me falaram para registrar na polícia, mas não quis. Não quero confusão. Quero apenas trabalhar em paz – disse.

No Facebook, diversos internautas pediram desculpas a Mohamed em nome dos brasileiros pelo ocorrido:

“Olá, Mohamed Ali, boa noite. Em nome de todos os brasileiros e trabalhadores, peço desculpas pelo que você passou enquanto trabalhava”, escreveu uma internauta.

“Você é bem vindo no Brasil. Perdoe este sujeito que te atacou, ele não sabe o que faz”, disse outro.

Apesar do ocorrido e de ter medo de encontrar o homem que o ofendeu, Mohamed não tem intenção de sair do Rio ou deixar de trabalhar em Copacabana.

– Passei a trabalhar em outro ponto para não encontrá-lo novamente, mas não vou sair daqui. Mudar, trocar de casa, é difícil. Espero apenas que não aconteça novamente. Foi muito triste. Não quero outra briga. Fico com medo. Trabalho sozinho – falou.

O titular da 12ª DP (Copacabana), Gabriel Ferrando, disse ter conhecimento das imagens, mas em casos como o de Mohamed, a atuação da polícia depende de uma manifestação da vítima.

– O ofendido não compareceu para registrar e denunciar o feito. Ameaça e injúria dependem de manifestação de vontade da vítima. Independente disso estamos analisando as imagens para tentar localizar os envolvidos. Estamos diligenciando – disse.

Agência O Globo

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