QUE TAL INTERNACIONALIZAR A AMAZÔNIA ?

Com seu estilo estabanado, sem eira nem beira, o presidente Jair Bolsonaro vai colecionando contradições, anacolutos e besteiras de toda sorte no grande circo em que se transformou a política brasileira por conta das queimadas na Amazônia.

Foi em função dos seus extravagantes exercícios retóricos que Bolsonaro gerou um pandemônio sobre a questão e deu casaca para que os amantes da tese da internacionalização voltassem a incendiar a opinião pública, alegando que, mal administrada, a Amazônia pode vir a ser considerada um “bem comum” da humanidade.

Bolsonaro, em quem votei em 2018 por pura falta de opção contra o petismo, é um chefe de Estado grotesco, que flutua ao sabor das marés: brigou com o presidente francês, Emmanuel Macron, mas nesta segunda-feira (26) engoliu a posição do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o qual declarou à BBC News Brasil que o Brasil aceita 20 milhões de dólares (cerca de R$ 83 milhões) disponibilizados pelos líderes do G7 para ajudarem no combate aos incêndios na Amazônia.

Como se vê, tantos rompantes para, no fim, o governo aceitar os dólares estrangeiros. Bolsonaro esculacha gregos e troianos em vez de criar uma política racional para preservar e desenvolver a região respeitando o meio ambiente. Ele fala, se esgoela, mas planejar e executar soluções criativas, nada.

Provavelmente por isso o jornalista Hélio Schwartsman, da Folha de São Paulo, escreveu ousado artigo propondo a venda da Amazônia para os governos e corporações internacionais. Se isso é ruim ou não, cabe a polêmica.

A indignação de Hélio possui fundamento. O desmatamento na Amazônia aumenta a cada ano, sem que seja necessário ong nenhuma patrocinar os incêndios e as devastações. Dificilmente o País cumprirá a meta de redução de desastres prevista para 2020. Em 2010, o Governo Federal anunciou que alcançaria a taxa anual de 3.900 km2 de perda da cobertura florestal na Amazônia. Mas, em 2018 os números acusaram o índice de 7.900 km2.

Esses números do desmatamento, como é do conhecimento público, se elevaram em 20% entre agosto de 2018 e abril de 2019. Irresponsável, incompetente e omisso, o governo de Jair Bolsonaro, fazendo coro aos seus antecessores, contracena com a destruição do patrimônio amazônico. E, então, por que não analisar o problema em profundidade ? Por que não a internacionalização ? Particularmente, não tenho posição definida com relação à questão, mas defendo o debate democrático e exaustivo.

*Juscelino Taketomi – jornalista e escritor

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here