Produção de óleo de copaíba ganha reforço no sul do Amazonas

Dentre os milhares de extratos que a Amazônia nos oferece dia a dia, o óleo de copaíba é, sem dúvida, um dos grandes destaques. Além das propriedades anti-inflamatórias e bactericidas, a essência é conhecida por tratar doenças respiratórias, problemas de pele e estresse; existem evidências de que pode também prevenir alguns tipos de câncer.

Com todo esse potencial de mercado, ainda existem comunidades que não conseguem garantir uma fonte de renda com a comercialização do produto. Isso ocorre por falta de uma assistência técnica continuada, não apenas nas fases de produção e beneficiamento, mas também nas etapas de distribuição, divulgação e comercialização dos produtos.

O PAE (projeto de assentamento agroextrativista) Aripuanã Guariba, localizado nos municípios de Apuí e Novo Aripuanã, é um exemplo dessa realidade. As famílias que trabalham na extração do óleo ainda dependem da figura do atravessador para escoar sua produção e têm uma margem de lucro reduzida frente ao esforço necessário.

“Desde pequeno, eu e meus irmãos acompanhamos nosso pai na extração do óleo de copaíba. Às vezes, isso significa ficar mais de um mês na floresta em busca do produto”, explica Jessé de Souza da Silva, jovem de 18 anos morador da comunidade de Vila Batista.

A fim de estimular e promover melhorias na cadeia do óleo de copaíba para as famílias do assentamento, o Idesam elaborou uma proposta de ação, submetida ao edital ‘Floresta em Pé’, da FAS (Fundação Amazonas Sustentável). A proposta foi uma das 17 selecionadas e receberá um apoio de R$ 150 mil para o seu desenvolvimento.

O apoio financeiro – viabilizado com recursos do Fundo Amazônia – foi oficializado no último dia 20 de fevereiro, em evento realizado na Fundação Amazonas Sustentável, em Manaus. Estiveram presentes representantes do BNDES, da FAS e dos projetos apoiados, entre eles, Marina Yasbek, pesquisadora do Idesam, e o jovem extrativista Jessé de Souza.

“Além do apoio à comercialização, nossa proposta é incentivar a organização social entre os pequenos produtores envolvidos, estimulando neles o cooperativismo e potencializando os resultados da produção”, comenta a pesquisadora.

Resultados esperados

Conforme Ramom Morato, coordenador do Programa Produção Rural Sustentável do Idesam, o óleo de copaíba tem grande potencial de mercado e, apesar da crise econômica existente no Brasil, tem demonstrado resultados positivos e de crescimento.

“Com o apoio, iremos alcançar maior desenvolvimento da cadeia de copaíba, melhorando a qualidade de vida dos extratores do assentamento e evitando a atuação de grileiros na região”, explica.

Outro ponto positivo para a viabilidade do projeto é a experiência que os moradores já possuem na extração do óleo. O PAE Aripuanã Guariba é habitado por famílias que chegaram ao local nos anos 60 para a extração de borracha. Ainda hoje essas famílias obtém renda por meio de produtos florestais, principalmente óleo de copaíba e castanha.

De acordo com diagnóstico realizado pelo Idesam em 2014, as comunidades do PAE já produzem cerca de 2.000 litros de óleo por ano.

“Criar uma maneira para comercializar o óleo de copaíba que nós mesmos tiramos vai resultar em um retorno muito melhor para as nossas famílias”, comenta Jessé.

fonte: idesam

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