Primeira morte por coronavírus fora da China aumenta temor de propagação da doença

População compra máscaras para prevenir contágio do coronavírus. ─ Foto: Eloisa Lopez/Reuters

A vítima é um chinês de 44 anos que estava nas Filipinas. Ele era veio de Wuhan, cidade onde a epidemia de pneumonia viral foi declarada. Mais de 304 pessoas já morreram na China desde dezembro, de acordo com o último balanço das autoridades do país.

O anúncio da morte nas Filipinas foi feito neste domingo (2) pela representante da OMS (Organização Mundial da Saúde) no país, Rabindra Abeyasinghe. “Trata-se da primeira morte causada pelo coronavírus fora da China”, disse. “Mas precisamos levar em consideração que não é um caso de contaminação adquirida localmente. Este paciente veio do epicentro da epidemia”, completou.

O ministro da Saúde das Filipinas, Francisco Duque, disse que o homem – que faleceu em um hospital de Manila – chegou ao país acompanhado de uma chinesa que também apresentou resultado positivo para o exame do novo coronavírus. Esta mulher foi o primeiro caso de contaminação confirmado nas Filipinas e se recupera em um hospital da capital.

O novo vírus já contaminou mais de 14 mil pessoas na China e se propagou em 24 países, entre eles a França, onde seis casos foram confirmados. Na quinta-feira (30), a OMS declarou a epidemia “uma urgência de saúde pública de alcance internacional” e inúmeros países anunciaram medidas excepcionais.

Crise econômica

A China anunciou domingo que injetará cerca de € 156 bilhões na economia para conter a desaceleração do crescimento, que aumentou desde o início da epidemia. A operação acontecerá na segunda-feira (3), dia de reabertura dos mercados financeiros após as férias de Ano Novo, que foram prorrogadas. Na segunda-feira, as Bolsas de Xangai e Shenzhen, fechadas há 10 dias, retomarão as sessões.
O BC informou em um comunicado que a operação servirá para manter “uma liquidez razoável e abundante” para o sistema bancário, assim como para estabilizar o mercado de câmbio. O banco já havia anunciado no sábado (1) várias medidas para facilitar o crédito às empresas que contribuem para lutar contra a epidemia do coronavírus.

Neste fim de semana, termina o feriado do Ano Novo chinês, e muitas famílias estão voltando para a casa, de trem ou avião. Mas, em todo o país, lojas devem continuar fechadas por pelo menos uma semana. Em Wuhan e outras cidades da província de Hubei, onde apareceu o novo vírus, cerca de 56 milhões de pessoas continuam isoladas.

Neste domingo, o confinamento foi decretado em Wenzhou, cidade portuária de mais de 9 milhões de habitantes, situada a cerca de 800 km da capital, onde já foram detectados 265 casos. Os habitantes são obrigados a ficar em casa e apenas uma pessoa por família pode sair a cada dois dias para fazer compras. O transporte público foi interrompido e as estradas de acesso bloqueadas.

Segundo a agência oficial Nova China, em Pequim, as autoridades decretaram a obrigatoriedade do controle de temperatura em todas as fronteiras da cidade, nas entradas e saídas do metrô, escritórios e cafés.

Fechamento de fronteiras

Os Estados Unidos, a Austrália, a Nova Zelândia e Israel proibiram a entrada em seus territórios de estrangeiros que estiveram recentemente na China. A Mongólia, a Rússia e o Nepal também fecharam suas fronteiras terrestres com a China e a Papua Nova-Guiné cancelou o acesso aos portos e aeroportos a todos os passageiros vindos da Ásia. As Filipinas haviam acabado de decretar restrições semelhantes.

fonte: RFI

 

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