Políticos republicanos tradicionais não endossam alegações de Trump sobre fraude eleitoral

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após fazer seu pronunciamento sobre a eleição dos Estados Unidos nesta quinta-feira. ─ Foto: Carlos Barria/Reuters

As falsas alegações de fraude eleitoral do presidente Donald Trump atraíram pouco apoio das autoridades republicanas na quinta-feira, com vários deles repreendendo o presidente ou oferecendo declarações que quase não endossaram suas opiniões. As vozes dissonantes, no entanto, são aquelas que já o criticaram em outras oportunidade — entre seus aliados, o silêncio é majoritário.

“Contar cada voto é o cerne da democracia”, escreveu o senador Mitt Romney, de Utah, no Twitter, rejeitando implicitamente o pedido sem precedentes de Trump para suspender a contagem de votos nos estados onde ele lidera. “Tenha fé na democracia, em nossa Constituição e no povo americano”, disse ele.

“Todos os votos que cumprem a lei da Pensilvânia devem ser contados, independente de quanto tempo o processo leve”, disse o senador Pat Toomey, da Pensilvânia, em um comunicado.

Embora expressando preocupação de que a contagem de votos da Filadélfia “carece de transparência”, Toomey concluiu que “todas as partes envolvidas devem aceitar o resultado da eleição, independentemente de terem ganho ou perdido”.

“Não há defesa para os comentários do presidente esta noite minando nosso processo democrático”, tuitou o governador de Maryland, Larry Hogan, um crítico frequente de Trump. “Nenhuma eleição ou pessoa é mais importante do que nossa democracia.”

Pouco depois dos comentários de Trump na Casa Branca, o vice-presidente Mike Pence emitiu uma declaração de apoio, mas que não ecoou o discurso do presidente sobre conspiração e fraude. “Eu estou com o presidente Donald Trump. Devemos contar todos os votos LEGAIS”, tuitou Pence, sem endossar as acusações do presidente de fraude e conspiração.

Vários republicanos sugeriram indiretamente que Trump não apresentou nenhum indício verdadeiro de fraude.

“Se um candidato acredita que um estado está violando as leis eleitorais, ele tem o direito de contestar em tribunal e apresentar evidências em apoio às suas reivindicações”, tuitou o senador Marco Rubio, da Flórida. Ele também publicou uma mensagem de quarta-feira em que dizia: “Levar dias para contar os votos legalmente expressos NÃO é fraude. E as contestações judiciais aos votos lançados após o prazo legal de votação NÃO são supressão.”

Sem nomear Trump, o deputado Adam Kinzinger, de Illinois, tuitou que “se você tem preocupações legítimas sobre fraude, apresente EVIDÊNCIAS e leve-aS ao tribunal. PARE de espalhar desinformação desmascarada. ”

“Isso está ficando louco”, acrescentou.

Alguns dos aliados tradicionais do presidente, no entanto, decidiram apoiá-lo diante das acusações sem embasamento que deixam os EUA em risco de crise institucional. O senador Lindsey Graham, presidente da Comissão de Justiça do Senado, foi à Fox News defender Trump e afirmar que está ao seu lado. O líder do Partido Republicano na Câmara, o deputado Kevin McCarthy, disse algo similar ao mesmo canal:

— Todos os americanos deveriam se posicionar (…) nos digam se vocês virem algo errado — afirmou. — Não fiquem em silêncio diante disso. Não podemos permitir que isso aconteça perante nossos próprios olhos.

Fonte: The New York Times

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