Parentes e amigos de soldado que morreu em quartel protestam por Justiça

Família contesta tese de suicídio. ─ Foto: Euzivaldo Queiroz

“Estou aqui pelo meu filho e por todos que estão lá dentro”, disse Kelianne Correa Pantoja, em referência ao 7° Batalhão de Polícia do Exército Brasileiro, situado na Avenida São Jorge, na Zona Oeste de Manaus, onde o filho dela, o soldado do Efetivo Variável Jhonatha Correa Pantoja, 18, morreu na madrugada do dia 3 deste mês.

Jonatha morreu com um tiro, durante o serviço, e a possibilidade de suicídio é contestada por quem conhecia o rapaz, natural de Borba. Neste sábado, pelo menos 30 moradores de Borba se reuniram em frente ao BPE para protestar. “Não foi suicídio. Eles querem abafar”, ecoaram os manifestantes.

O ato começou às oito horas. Abalada, Kelianne disse à imprensa que o filho era muito carinhoso. “Tem muitos jovens aí dentro que buscam seus sonhos. Eles são humanos. Por que machucar o jovem?” clamou. A família acredita que ele foi torturado antes de morrer.

A professora Neuzimar Lima, 45, ensinou Língua Portuguesa a Jhonatha, durante o terceiro ano do ensino médio, no município de Borba. Segundo ela, ele era muito carinhoso e nunca havia brigado com ninguém dentro da escola. “[Ele] era muito tranquilo na sala de aula. Às vezes, eu estava corrigindo atividades e ele se aproximava por trás e contava os sonhos dele, que realmente era servir”, contou.

Policiais militares da 21ª Companhia Interativa (Cicom) estiveram presentes no local, durante a manifestação.

De acordo com Aline Batista, esposa do tio da vítima, o celular de Jhonatha ainda não foi devolvido à família. “Nós só queremos Justiça e uma resposta, que ainda não foi dada”, disse.

Ainda de acordo com Aline, o traslado do corpo de Jhonatha a Borba foi custeado pela prefeitura do Município. “O Exército não deu suporte nenhum. A única coisa que fizeram foi enviar uma psicóloga e três soldados fardados, para dar a notícia e disseram que poderia ter sido suicídio”.

Em alguns cartazes dos manifestantes, pôde-se ler: “Recruta não é sub-humano. Transparência, respeito e Justiça”, “não foi suicídio, foi homicídio”, “esse crime não pode cair no esquecimento”.

O vigilante Valdionor Marciel, 40, sobre um carro, com um microfone instalado em um alto-falante, informou que a manifestação se estenderia até às 10h. “Não enviaram sequer uma coroa de flores”, disse.

Sepultamento e protesto

Em nota, o Comando Militar da Amazônia (CMA) afirmou que o soldado foi encontrado caído com o fuzil dele, por volta das 3h5. A arma foi recolhida para perícia do armamento. “Após ouvido um disparo, o plano de defesa do aquartelamento do 7° BPE foi acionado”, informou o CMA.

Jhonatha foi socorrido, ainda com vida, e levado ao Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto, onde o óbito foi constatado, ainda conforme a instituição.

O CMA afirmou que um Inquérito Policial Militar (IPM), acompanhado pelo Ministério Público Militar, foi acionado para apurar as circunstâncias do caso.

O corpo do soldado foi transportado, junto de alguns parentes, a Borba, por meio de um avião do Aeroclube do Amazonas, localizado na Zona Centro-Sul de Manaus. O sepultamento ocorreu no município e levou às ruas manifestantes que protestaram contra o ocorrido.

*Com informações da A Crítica

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