Órgãos em 3D revolucionam curso de Medicina na UEA

O método é uma alternativa ao ensino com cadáver, permitindo recortes e ampliações
O método é uma alternativa ao ensino com cadáver, permitindo recortes e ampliações
O método é uma alternativa ao ensino com cadáver, permitindo recortes e ampliações

A rotina de estudos do aluno de Medicina, André Gomes, de 26 anos, sobre o funcionamento de órgãos passou por uma revolução. Se antes ele precisava de cadáveres ou de imagens em livros, agora o estudante da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) conta com peças em 3D que estão ao seu alcance graças a uma parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Com a estrutura tecnológica da USP e uma impressora 3D, cerca de 2 mil alunos dos cursos de Medicina, Odontologia, e Enfermagem da universidade amazonense estão aprofundando os estudos e tendo acesso a modelos de órgãos com doenças e com um detalhadamento que não seria possível apenas com o uso de corpos. O projeto vai completar um ano no próximo mês e a UEA foi a primeira entidade a receber a iniciativa.

“É uma alternativa ao ensino com o cadáver, porque nem sempre o estudante precisa estar no laboratório. O órgão em 3D permite um contato manual e é uma grande contribuição para o estudo da anatomia”, diz o estudante.

Para construir os órgãos, a USP faz uma ressonância magnética neles – usando a máquina 7 tesla, que é a mais potente da América Latina – e o resultado é impresso no equipamento 3D. A reprodução pode ser feita em qualquer lugar com uma impressora compatível. De acordo com a USP, o projeto foi feito por meio de um convênio e a UEA investiu cerca de R$ 1,5 milhão. Também foi feito um investimento na formação de docentes.

“O órgão em 3D não vem para substituir (o órgão real), mas para complementar. Para o aluno, é fantástico. Ele tem contato com a estrutura realística, didática e que facilita a compreensão”, explica Chao Wen, chefe da seção de Telemedicina do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP.

Além de mostrar todas as estruturas dos órgãos, o método consegue fazer recortes e ampliações. “O aumento do tamanho pode ser de 150 a 200 vezes. É a materialização do mundo digital para o físico”. O estudante André Gomes concorda. “Quando há um estímulo para estudar, nasce uma curiosidade que contribui para que o desempenho aumente”.

Detalhes

A capacidade de produzir com exatidão e com riqueza de detalhes os órgãos é uma característica destacada pelo reitor da UEA, Cleinaldo de Almeida Costa. “A impressora reproduz a peça anatômica. Pode ser uma parte do corpo, órgão com lesão, olho com vários recortes, o feto, aparelhos reprodutores, qualquer parte do corpo. O aluno entre em um cenário de um novo eixo de aprendizado, sai do papel para uma peça real que pode ser usada ao longo do ano, torna-se um acervo material”.

Costa diz que o equipamento trouxe benefícios até para pessoas que não fazem parte do ambiente acadêmico. “Há duas semanas, foi realizada a 7ª Semana de Anatomia com uma feira que é apresentada à comunidade e um dos carros-chefes foram os órgãos em 3D”. Os estudantes já têm contato com a tecnologia no primeiro semestre. “Essa é uma tecnologia que veio para ficar. Existe uma dificuldade para a manutenção dos cadáveres e as peças em 3D podem ser usadas à exaustão.”

A próxima unidade a receber o projeto será a União das Faculdades dos Grandes Lagos (Unilago), em São José do Rio Preto, interior paulista, no mês que vem.

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