Nova Política, Velhas Práticas e o Laranja

Chico Preto
Dep. Chico Preto
Chico Preto

Já dizia o filósofo Immanuel Kant: “age sempre de tal modo que o teu comportamento possa vir a ser princípio de uma lei universal”. Ontem, no debate da Tv Globo, ficou claro o que é a Nova Política no plano do Amazonas, um arremedo frágil do que acontece nacionalmente.

Há muito tenho acompanhado um comportamento incômodo, mas que supus compreensível diante da imaturidade e da sofreguidão do candidato Marcelo Ramos ante uma disputa eleitoral acirrada. Um discurso de duas faces: um que se apresenta cordial e amigo; e um outro, de ativismo baseado nas velhas práticas de desqualificar o outro a partir de suposições, da subjetividade do interesse eleitoral, de mandar recado por outros. Um que se arvora do discurso do iluminado e honesto; e outro da mentira e do voto a qualquer custo.

Não. Para mim, certos valores são inegociáveis, ainda que me custe ter que trilhar por um caminho mais longo para chegar num objetivo que, com determinação e ousadia, tracei para mim. A velha prática da mentira, de apontar o dedo levianamente, do deboche e da manipulação da verdade, é grave. A mentira é, como disse a candidata Dilma em relação a militante da Nova Política, Marina Silva, um desvio de caráter, mesmo sendo esta mesma Dilma acusadora e acusada deste aforismo. Porque assim é o ser humano. Falível e passível do erro. Somos todos. O que faz a diferença é como nos portamos e o aprendizado que temos diante disso.

Antes da campanha, ainda no processo de coligações, conversei mais de uma vez com o candidato Marcelo Ramos. Buscamos, sim, convergências, baseados em admiração e desejo de mudança mútuo. Sigo com a mesma inclinação. Reconheço alguns valores no Marcelo Ramos, no Serafim Correa, a quem tenho respeito, e em outras pessoas que, neste momento, são adversários políticos por buscarmos um lugar onde só cabe um. Mas a eleição passa. E as pessoas ficam.

Em toda campanha focamos em apresentamos propostas. Fomos críticos pontualmente onde acreditamos que tínhamos fatos objetivos, provas contundentes. Sempre falei de frente, com coragem o que penso. E nunca, nunca no nível pessoal.

Ontem, quero crer que por imaturidade, Marcelo expressou, pela primeira vez, como um homem que tem dignidade em falar de frente, aquilo que o outro lado da moeda já havia exaustivamente incentivado: que o mundo inteiro está contra ele. Que todos são laranjas. Que todos são bandidos. Que todos são cúmplices, de uma grande organização criminosa. Que existe um complô contra o único justo entre os homens. E, de quebra, ainda de não sermos o óbvio: ele, a última bolacha do pacote.

Como não tenho procuração para falar por ninguém, ainda que o laranja a mim seja neste sentido, expus alguns fatos objetivos – e não achismo, que mostravam ao Marcelo Ramos o quão fruto ele é da origem política que tanto repele. Falei, sem em nenhum momento acusar a ele ou ao Serafim Correa de desonesto – ainda creio que não são, que eles não sabem administrar. Ponto. Foi a população no voto quem disse isso, fazendo com que fossem os únicos governantes municipais do Brasil a não serem reeleitos. Fato.

Mostrei ao Marcelo Ramos que se a verdade é a sua arma e da Nova Política, porque então ele mentiu ao divulgar que não respondia à processo na Justiça por uso indevido de dinheiro público, sabendo que responde a um da ordem de três milhões de reais e cuja causa ele é o próprio advogado. Fato. Culpado ou inocente, a justiça é quem determinará. Mas a verdade, esta, não pode ser subjugada sob nenhum pretexto. Nenhum. Diz um dito popular que quem mente por um milho, mente por um milharal.

A resposta veio da forma esperada. Quando é com ele, tudo pode, tudo tem explicação. É a marca da Nova Política. E mais: acabou sendo alvo do próprio veneno, onde todos fizeram questão de mostrar que sua postura é inadequada e despropositada para o cargo que legitimamente almeja, mas que, visivelmente, não tem condições emocionais de ocupar. Creio que, como o personagem do filme Sexto Sentido, ele se descobriu sem vida, cinza. Triste episódio.

Lamento imensamente. Não será esse o caminho que irei adotar. Não me ofende ser chamado de laranja, até porque esta acusação não gera processo por uso indevido da coisa pública. Ser laranja é uma subjetividade, uma opinião e, no caso, a única acusação que eles podem me fazer: falar da cor da minha campanha. Com relação à Eduardo Braga, para citar em apenas duas frases, já apresentei, de frente como sempre faço, o que nos distancia. Basta ler na minha página. Quem muito nega, muito deve e teme, já dizia minha avó.

Tenho a certeza que o imenso esforço que eu, minha família e amigos estamos fazendo para levantar recursos próprios para trazer propostas e as nossas verdades é a escolha entre ter um bem ou um sonho. Ainda acredito e sei que quem me conhece de verdade também acredita. O caminho que escolhi é o da independência.

Espero sinceramente que na próxima eleição, se houver acusação, que seja neste nível, apenas. Opinião todos podem ter, até mesmo contrária à nossa. É salutar, saudável – pelo menos para alguns. Agora, valores, ética e verdade não podem ser postos à prova por causa de votos e de uma eleição. São velhas práticas que já estão anacrônicas e não cabem mais nem se repaginada no discurso da Nova Política.

Marcelo Ramos, que Deus permita sua evolução e maturidade, amigo.

Abraços, CP

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