Cheia

Nível do rio Negro deve começar lento processo de descida na próxima semana

FOTO: Leandro Guedes

Nesta segunda-feira (31), o Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) transmitiu o terceiro e último Alerta de Cheias de Manaus para 2021. Na live, estiveram presentes representantes do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM), Defesa Civil do estado do Amazonas e Defesa Civil municipal de Manaus.

A live atualizou os prognósticos para a cheia na bacia do rio Amazonas, além de apresentar informações a respeito das inundações em todo o estado. Em Manaus, o rio Negro registra hoje (31) a maior cheia de toda a série histórica de 119 anos de monitoramento na cidade, se igualando aos 29,97 m observados em 2012.

Segundo Luna Gripp, pesquisadora do SGB/CPRM, o padrão de cheias observado no estado como um todo foi ocasionado por um volume de chuvas muito acima do esperado em janeiro e fevereiro. Em termos de prognóstico, o pico da cheia em Manaus deve se manter próximo aos 30,00 m. O rio Solimões, na cidade de Manacapuru (AM), deve atingir um nível próximo aos 20,78 m, também cheia recorde no município. Já em Itacoatiara (AM), o rio Amazonas tem seu pico previsto em torno de 15,22 m.

As previsões apresentadas consideram um nível de 80% de probabilidade, podendo variar em torno de 2 cm, para cima ou para baixo, ao redor do valor médio previsto. Como o nível dos rios já se encontram próximos a esses valores, as previsões indicam, portanto, a estabilidade das águas. A pesquisadora ressalta que as pequenas variações observadas no nível dos rios ao longo dos últimos dias, da ordem de 1 ou 2 cm, são praticamente irrelevantes se comparadas à magnitude dos rios analisados e não afetam significativamente os impactos associados ao evento de inundação que já estão instalados.

“Há uma grande probabilidade de que o fenômeno de inundação em 2021 esteja chegando ao fim, mas mesmo com os rios estabilizados, a redução dos níveis é lenta e gradual”, afirma a pesquisadora. Ou seja, os impactos associados às inundações atuais devem se estender ainda pelas próximas semanas. Sobre a possibilidade de um repiquete, situação em que o rio começa a descer, e depois volta a subir, a pesquisadora afirma que no cenário atual não há nada que indique grandes possibilidades de ocorrência do fenômeno. “Considerando as previsões de chuvas e as precipitações observadas até agora, além do comportamento dos rios nas cabeceiras, é improvável que venhamos a ter um repiquete como o que ocorreu em 2009”, explica.

O padrão de inundações severas atualmente observado confirma as previsões apresentadas durante os Alertas anteriores. O primeiro alerta, realizado ao final do mês de março, já indicava as grandes probabilidades de se observar uma cheia de grandes magnitudes ao longo de 2021. Ainda mais assertivo, o segundo Alerta de Cheias apresentou uma previsão de que as cheias observadas estariam entre as maiores da história de monitoramento, fato que vem se confirmando.

Chuvas

A cheia histórica de 2021 foi consequência do alto volume de chuvas no início do ano, que segundo o meteorologista do Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM) Renato Senna, se deu pela condição do Oceano Atlântico de neutralidade no sul e aquecimento no norte. “Isso faz com que seja deslocada a Zona de Convergência Intertropical, que é a zona preferencial de formação de nuvens, em direção ao norte da bacia”, afirma o meteorologista.

Outro fator, somado ao deslocamento da formação de nuvens, é o fenômeno La Niña, que leva as áreas de precipitação a se concentrarem ao norte. Recentemente, o La Niña se encerrou e o Atlântico entrou numa condição de normalidade. “Portanto, espera-se que as chuvas reduzam em quantidade, principalmente na bacia do Solimões. Na bacia do rio Negro, elas vão entrar numa condição de normalidade, mas ainda vai continuar chovendo bastante”, afirma Renato Senna.

Defesa Civil

Segundo o tenente-coronel Clóvis Araújo Pinto, coordenador da Defesa Civil do estado do Amazonas, cerca de 450 mil pessoas já foram afetadas pela cheia de 2021. O número representa 10% da população do Amazonas. Dados da Defesa Civil mostram que, dos 62 municípios do estado, 58 foram atingidos pelos impactos da cheia.

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