Motim em prisões em Honduras deixa 36 mortos

Família de vítimas de motim na prisão de Tela. ─ Foto: STR/AFP

Ao menos 36 detentos morreram no fim de semana em confrontos em presídios de Honduras, quando exército e polícia tentaram recuperar o controle nas penitenciárias do país. Segundo a imprensa local, a polícia retomou o controle dos presídios.

No domingo (22) à tarde, 18 integrantes de gangues morreram em um confronto entre detentos no presídio de El Porvenir (O Porvir, em português), 60 km ao norte de Tegucigalpa. A briga, que deixou dez feridos, incluiu armas de fogo e objetos cortantes, informou o porta-voz da Força de Segurança Interinstitucional Nacional (Fusina), o subtenente José Coello.

Na sexta-feira (20) à noite, 18 presos morreram e 16 ficaram feridos em um tiroteio na penitenciária do porto de Tela, 200 km ao noroeste da capital.

Os massacres aconteceram pouco depois de o presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, declarar emergência em 27 instituições penais, que abrigam mais de 21.000 detentos. O objetivo era de passar o controle dos presídios para a Fusina, que anunciou a mobilização de quase 1.200 militares e policiais em 18 das 27 penitenciárias consideradas de “alto risco”.

A emergência foi declarada após o assassinato de cinco membros da gangue Mara Salvatrucha (MS-13), em 14 de dezembro, no presídio de segurança máxima de La Tolva, a 40 quilômetros da capital. Um dia antes, o diretor da penitenciária de El Pozo I, em Santa Bárbara (oeste), Pedro Ildefonso Armas, foi morto a tiros. O funcionário estava suspenso do cargo para ser investigado por ter testemunhado quando detentos mataram em 26 de outubro Magdaleno Meza, que foi sócio do ex-deputado Juan Antonio “Tony” Hernández.

Tony Hernández, irmão do presidente Juan Orlando Hernández, foi condenado por quatro crimes de tráfico de drogas em um tribunal de Nova York. A justiça americana condenou Hernandez com base em anotações encontradas com Meza, com registros do tráfico de cocaína.

O advogado de Meza, Carlos Chajtur, acusou publicamente o governo de ter ordenado a morte de seu cliente em represália por ter colaborado com a justiça americana no julgamento contra Hernández.

Controle militar

Os chefes militares e da polícia afirmaram, na noite de domingo (22), que a onda de violência dentro das prisões é uma escalada do mundo do crime para evitar que a Fusina controle os presídios. A entidade foi criada pelo presidente quando chegou ao poder, em 2014, para enfrentar a criminalidade no sistema carcerário. O presidente também construiu três novos centros, para tentar diminuir a violência nas prisões.

O escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos em Honduras disse observar “com preocupação a violência dentro das penitenciárias” e pediu que o Estado “garanta a vida e o respeito dos direitos humanos aos presos e investigue de maneira eficaz e transparente.”

O sistema carcerário hondurenho, conhecido como “escolas do crime”, conheceu outras tragédias graves, como a morte de 362 presos em um incêndio em fevereiro de 2012, na penitenciária de Comayagua, no centro do país. Em 2014, outros dois incêndios fizeram 107 mortos, em São Pedro Sula, e 68 na prisão de El Porvenir.

FONTE: AFP

 

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