Morando na Colômbia, Janot tem divulgado Lava Jato pelo mundo

Rodrigo Janot

Desde que deixou a Procuradoria-Geral da República (PGR), no ano passado, Rodrigo Janot tem se dedicado a divulgar a operação Lava Jato pelo mundo, especialmente na América Latina, onde empreiteiras brasileiras atuam e operam o mesmo esquema adotado no Brasil para surrupiar dinheiro público.

Morando em Bogotá, na Colômbia, onde ministra um curso sobre técnicas de combate à corrupção na Universidade de Los Andes, ele retorna ao Brasil e, também aqui, segue para a sala de aula. Estará à frente de curso sobre compliance na faculdade de Direito do Centro de Ensino Unificado de Brasília (Ceub), a maior universidade privada do Distrito Federal.

Compliance é o conjunto de disciplinas para fazer cumprir as normas legais e as diretrizes estabelecidas para as atividades de uma empresa, bem como evitar, detectar e tratar qualquer desvio ou inconformidade que possa ocorrer. Algo que também veio à tona com a força-tarefa, que flagrou esquemas de corrupção envolvendo os principais grupos empresariais do Brasil.

Durante as palestras, aulas, artigos e entrevistas, o ex-procurador, quando questionado sobre “como construir uma Lava Jato”, conforme destaca em um dos seus textos, publicado no México, Colômbia, Venezuela, Costa Rica e El Salvador, costuma ser enfático: Ministério Público independente, acordos de delação premiada, cooperação internacional e apoio da sociedade. Veículos de comunicação e instituições nos Estados Unidos e na Europa também têm se interessado pelo que Janot tem a dizer. Na semana passada, estava em Washington, onde participou de seminário.

A postura é vista com bons olhos por autoridades. “Da mesma forma que empreiteiras brasileiras ‘exportaram’ um modelo de corrupção, o Brasil está agora exportando um modelo que se mostrou eficaz no combate à corrupção”, afirma o ex-secretário de Cooperação Jurídica Internacional da Procuradoria-Geral Vladimir Aras.

Em entrevista ao O Globo, o responsável por denunciar nomes de peso da polícia nacional – a exemplo Michel Temer, Eduardo Cunha e do ex-presidente Lula – afirmou que não se arrepende de nada do que fez à frente do Ministério Público Federal (MPF), nem mesmo o acordo de colaboração premiada firmado com os executivos da JBS, que foi alvo de críticas.

“O acordo da JBS se mostrou extremamente positivo. Conseguimos fazer prova contra um presidente da República em pleno exercício do cargo. Conseguimos fazer prova contra um senador da República. Conseguimos fazer prova contra um deputado federal com direito filmagens, mala de dinheiro e corridinha nas ruas de São Paulo. Mostramos que um membro do Ministério Público cometeu perfídia contra a instituição e contra os colegas. Essa colaboração (da JBS) foi muito rica”, afirmou.

Janot também salientou que não pretende ser candidato a nenhum cargo político, nas próximas eleições, mas fará campanha contra candidato “ficha suja”. “Não tenho candidato. Só acho que a sociedade tem que estar atenta para não para não apoiar quem está envolvido ou apoia atos de corrupção”, afirma.

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