Mega operação federal contra incêndios exagera e Festa do Rodeio está ameaçada em Apuí

Precisamente 150 homens, entre quadros do Exército do 54º Bis, da Polícia Civil e Militar Ambiental, da Polícia Federal e do Instituto de Criminalística, encontram-se desde o último dia 28 no município de Apuí, Sul do Amazonas, onde permanecerão durante 180 dias protagonizando uma mega operação de combate às queimadas, seguindo rígidas determinações do presidente Jair Bolsonaro, que, de repente, resolveu tomar para si poder de vida e morte sobre tudo o que existe na Amazônia.

Esse batalhão verde percorrerá mais de 2.500 quilômetros de estradas, entre vicinais, estaduais e federal, periciando propriedades rurais, pronto para brecar qualquer foco de incêndio florestal. Nada contra o governo combater queimadas. Mas ocorre que a situação possui outro viés que merece ser enfatizado aqui.

Informações dão conta de que em Apuí não há ninguém satisfeito com a mega operação do Palácio do Planalto, por vários motivos, sendo o principal deles a edição da Festa do Rodeio 2019, um dos maiores eventos de entretenimento, repleto de atrações musicais e exibindo uma bela gastronomia, que atrai anualmente imensas levas de turistas de outras regiões, inclusive do vizinho Estado do Mato Grosso. Por isso, conforme projeto do deputado estadual Belarmino Lins (PP), que tramita na Assembleia Legislativa, a Festa poderá ser transformada em patrimônio cultural, de natureza imaterial, do Estado do Amazonas.

Só que neste ano o evento está seriamente ameaçado pelos rigores das ações do batalhão verde, que, no afã de coibir queimadas, acaba exagerando e causando constrangimentos aos pecuaristas locais, responsáveis por um rebanho estimado em mais de 100 mil cabeças de gado. As ações são policialescas demais e os pecuaristas protestam aos quatro ventos.

Dizem os apuienses que os exageros do batalhão poderão ser fatais para a Festa do Rodeio de 2019, afugentando os turistas que não gostarão nada de prestigiar um evento popular realizado em uma cidade sitiada, pressionada pelas ações do tal batalhão.

Com certeza, não será jamais com operações intempestivas, e sangrando os cofres municipais, que o governo Bolsonaro resolverá o velho problema das queimadas em todo o Norte amazônico, mas, sim, com planejamento, com a elaboração de um grande projeto racional, muito bem debatido, em parceria com a sociedade.

Em Manaus, na reunião com governadores da Amazônia Ocidental, o ministro-chefe da Casa Civil da Presidência, Onyx Lorenzoni, gabou-se do combate às queimadas e da luta contra o desmatamento e os garimpos ilegais. E anunciou o advento do Zoneamento Econômico-Ecológico (ZEE) da região, abrindo caminho para a tão sonhada economia verde.

Tudo muito bonito. Contudo, poucos confiarão na praticidade dessas promessas depois de Bolsonaro cortar verbas orçamentárias da UFAM (Universidade Federal do Amazonas) e do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia). Afinal, o caminho rumo a economia verde passa pela contribuição preciosa desses órgãos, como depende também da ZFM (Zona Franca de Manaus), sabidamente à beira da morte na reforma tributária que o governo protagoniza no Congresso Nacional.

*Juscelino Taketomi – jornalista e escritor

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here