Manaus terá a tarifa de ônibus mais cara da região Norte

O reajuste é de 26,6% em relação à tarifa de R$ 3 praticada desde 2015
O reajuste é de 26,6% em relação à tarifa de R$ 3 praticada desde 2015

Manaus terá a tarifa do sistema de transporte coletivo mais cara da região Norte do País, a partir deste sábado, quando passa a vigorar o valor de R$ 3,80. O reajuste é de 26,6% em relação à tarifa de R$ 3 praticada desde 2015, quando as empresas contavam com uma frota de 1,5 mil ônibus, quantidade que permanece inalterada até os dias de hoje. A população não viu nenhuma melhoria na prestação do serviço e reclama do novo aumento.

Também pudera, com o reajuste de 26,6%, o rombo no orçamento do trabalhador que usa o transporte público em cinco dias na semana para ir ao trabalho passará de R$ 120 para R$ 152, ou seja, R$ 32 a mais por mês. Com este valor, ele poderia comprar sete quilos de frango ou quatro quilos de tambaqui ou ainda oito e meio quilos de cenoura ou batata num supermercado popular da cidade.  Pode não ser muita coisa, mas para quem ganha um salário mínimo faz muita diferença.

Que o diga a diarista Leilane Torres, 34, que sustenta sozinha a família de quatro pessoas com seu trabalho. “Vou ter que procurar outra casa para trabalhar porque vai ficar complicado tirar um dinheiro a mais daquele que já é contado para pagar as contas e alimentar as crianças”, apontou. Maria Aparecida, 39, também diarista, compartilha da mesma preocupação da colega de trabalho. “Vamos ter que trabalhar só para pagar a passagem de ônibus”, completou.

O pedreiro Raimundo Oliveira, 54, é outro que não concorda com o “ajuste” na tarifa de ônibus anunciado na última terça-feira, pelo prefeito Arthur Neto (PSDB) e o vice Marcos Rotta (PMDB). “Eles não pensam no trabalhador que acorda cedo todos os dias para disputar lugar no ônibus que só circula lotado. Toda vez que aumentam a passagem dizem que vão fazer melhoria, mas nunca fazem, isso é só para o povo aceitar e não criar confusão. Nunca vi nenhuma melhoria”, afirmou.

De acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), o “ajuste” na tarifa é decorrente do fim dos subsídios da isenção do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e do fim da isenção fiscal do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço (ICMS) sobre o óleo diesel por parte do Governo do Estado. O prefeito Arthur Neto informou que a dura medida precisou ser adotada para manter o funcionamento do sistema.

Em torno de 900 mil pessoas utilizam diariamente o sistema de transporte coletivo de Manaus. A prefeitura garantiu que a tarifa para estudantes continua congelada em R$ 1,50. O Sinetram, por sua vez, assegurou que ao longo deste ano, as melhorias serão executadas conforme determinação da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU).

Número

R$ 3,80 é o valor da tarifa do transporte coletivo de Manaus, em Rio Branco a tarifa é de R$ 3,50, Belém (R$ 3,10), Boa Vista (R$ 3,10), Porto Velho (R$ 3) e Macapá (R$ 2,75)

‘CDC não está sendo cumprido’

A Prefeitura de Manaus e as empresas que operam o sistema de transporte coletivo da capital estão descumprindo o Código de Defesa do Consumidor (CDC) ao aplicar o reajuste da tarifa sem apresentar os motivos do aumento. Quem aponta é o presidente da Comissão do Direito do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Amazonas (OAB-AM), Marcos Salum.

Ainda ontem, a OAB-AM junto com a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), Ministério Público do Estado (MP-AM), e Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara Municipal de Manaus (Condec/CMM) pretendiam protocolar na justiça uma tutela de urgência para evitar o aumento da passagem. Os órgãos também querem que haja uma discussão do tema antes de qualquer mudança de valor.

Hoje, será a vez do Ministério Público de Contas (MPC-AM) solicitar, cautelarmente, ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) a suspensão do novo reajuste da tarifa do sistema de transporte público de Manaus. Segundo informou a procuradora de contas Evelyn Freire de Carvalho, a nova liminar será no mesmo molde do pedido anterior em análise pelo TCE-AM.

“O que podemos fazer, além da liminar que deve ser ingressada na quinta-feira, é abrir um Procedimento Preparatório dentro do MPC para analisar o caso, ou fazer uma exposição de motivos para subsidiar a representação que já existe e que está em tramitação no TCE”, disse Evelyn. A procuradora ainda espera os esclarecimentos da prefeitura, que tem até o dia 3 de março para encaminhar os dados ao MPC.

Com A CRÍTICA

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here