MANAUS E O SONHO DE DARCY RIBEIRO

Registra-se a presença dos curadores da Fundação Darcy Ribeiro (Fundar), Paulo Ribeiro e a Maria José Latgé Kuamme, em Manaus nos dias 18 e 19 de abril, a convite da Fundação Leonel Brizola–Alberto Pasqualini (FLB/AP), sob a chancela do PDT Amazonas para participar de várias rodas de conversas centradas na economia política sustentável, cultural e educacional no horizonte do desenvolvimento humano. Uma agenda densa e objetiva focada na formação de novas lideranças políticas que saibam ler o mundo a partir de sua (nossa) Aldeia, concebendo e formulando políticas de Estado que contemplem nossa diversidade cultural, de gênero, bem como toda riqueza da sociobiodiversidade Amazônica numa perspectiva sustentável distributiva. As conversas foram articuladas com os movimentos organizados do PDT com objetivo de formar quadros e ocupar espaços políticos na seara local e nacional visando responder a este imobilismo instalado na política brasileira maculada pela corrupção dos agentes públicos e privados que tomaram de assalto os poderes constitucionais com firme propósito de saquear o erário publico.

CAPITAL VERDE: O leque das discussões ampara-se nas teses do renomado intelectual Darcy Ribeiro fincada na soberania popular e na defesa do nosso patrimônio ambiental destacando, sobretudo, a nossa Amazônia, como joia da república, a exalar seu perfume por todo o planeta. A Amazônia, aqui representada pelas florestas e rios, homens e culturas, ciências, tecnologias e saberes tradicionais é um colossal monumento a ser estudado, pesquisado e projetado politicamente como capital do 3º Milênio, explica o presidente da Fundar, a reclamar urgência de se definir novas formas de desenvolvimento sustentável com geração de riqueza e trabalho na Amazônia. Para ele “a nossa Amazônia, concebida como Capital Verde, bem que poderia ser apresentada para o mundo como a síntese do desenvolvimento limpo e sustentável de preservação ambiental, instalada na maior bacia hidrográfica com uma das maiores concentração da biodiversidade do planeta”. O professor Darcy Ribeiro, segundo Paulo Ribeiro, “antecipou em seus estudos que nas próximas décadas teríamos aproximadamente 25 milhões de pessoas migrando para a Amazônia, uma massa de trabalhadores buscando na floresta o novo “Eldorado”. 

VISÃO DE FUTURO: Nas rodas de conversas o que muito se falou foi ausência de visão de futuro e de uma conduta política de Estado quanto à Amazônia. Por isso, buscamos respostas na trajetória política de Darcy Ribeiro, que em tempo criou modelos de desenvolvimento sustentável como o Projeto Caboclo e outros instrumentos de políticas públicas. “A Amazônia tem sido propagada como espaço de interesse mundial em razão da riqueza da sua biodiversidade, abundância em recursos hídricos e da sua importância no combate ao aquecimento global. Representando assim, 30% das florestas tropicais remanescentes no mundo de grande importância para a estabilidade planetária”. Donde se conclui que é necessário, segundo Darcy Ribeiro, “uma aliança latino-americana, entre os oito países em que a Floresta está inserida, mais a Guiana Francesa, para implantação de um projeto comum de desenvolvimento sustentável, com a liderança natural do Brasil, que detém 42% de toda a floresta.” O projeto visa reunir, em Manaus, por exemplo, as grandes universidades e centros de pesquisas do mundo, gerando novos produtos e modelos de desenvolvimento sustentáveis, deslocando a Amazônia para o centro do continente, realizando de fato a integração latino-americana. Na prática, os países latinoamericanos seriam sócios dos bens produzidos e patenteados pelas empresas e laboratórios consorciados instalados em Manaus.  Os tributos seriam aplicados num Fundo Comum e reinvestidos em novas pesquisas e projeto na Região. O sonho do Darcy bem que poderia ser sonhado junto impulsionando a bancada federal e os nossos governantes a lutaram por um Amazonas rico e próspero em atenção ao seu povo.

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