Laudo técnico inocenta motorista de BMW que colidiu com sargento da PM

Foto: Luis Henrique Oliveira
Foto: Luis Henrique Oliveira

Após quase duas semanas da morte do sargento Antônio Sérgio Ramos dos Santos, da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), em um acidente de trânsito no dia 8 de fevereiro, na avenida Santos Dumont, bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus, novas evidências foram reveladas exclusivamente ao Em Tempo. Os documentos comprovam a inocência do condutor do carro modelo BMW, Clóvis de Oliveira Maia Filho. O empresário foi recentemente indiciado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) pela colisão contra a motocicleta.

O acidente chocou os manauenses, principalmente pela quantidade de informações não apuradas oficialmente, levantando várias versões do ocorrido. Sérgio Ramos estava saindo de um velório de um colega policial e pilotava uma motocicleta, quando houve a colisão com o carro do empresário. Um dia após o acidente, a Delegacia Especializada em Acidentes de Trânsito (Deat) recebeu uma testemunha que afirmou, em depoimento oficial, ser o motorista que desviou da moto do sargento na contramão, momentos antes dele atingir o carro de Clóvis.

Primeira parte do depoimento da testemunha ocular à Polícia – Foto: Divulgação

“Estava seguindo na avenida do Turismo, no sentido Ponta Negra/Torquato Tapajós e, chegando na entrada do aeroporto, dobrei para a direita e entrei na avenida Santos Dumont. Poucos metros depois, uma moto veio na contramão em minha direção e consegui levar o carro para a direita para evitar ser batido. Depois que a moto me ultrapassou, olhei pelo retrovisor e a BMW atrás de mim não conseguiu fazer a mesma manobra que eu, ocasionando o acidente. Após isso, diminui a velocidade para ligar para o Samu”, revelou o condutor, de 45 anos, que dirigia um carro modelo Renault Sandero de cor vermelha. O nome da testemunha é mantido em segredo de Justiça. 

Além do relato da testemunha, a reportagem teve acesso ao laudo pericial, solicitado pelo delegado Luiz Humberto Monteiro, titular da Deat, em que prova as circunstâncias do fato. O perito Mario Socorro Freitas da Silva foi o profissional responsável por ir ao local e realizar o trabalho de apuração do fato. 

De acordo com o documento, a quantidade de vidros quebrados do farol no sentido que a BMW estava dirigindo traça o real local da colisão. “O acidente se deu dentro da faixa a qual a BMW trafegava, após identificar o local em que os vidros quebraram no momento da colisão dos dois veículos. Além disso, marcas de sulcagem de pneu também provam que a motocicleta estava na contramão”, revela o documento.

Fuga do local do acidente

Um fato que levantou suspeitas contra Clóvis foi o fato dele  ter saído do local sem ter prestado socorro à vítima. A reportagem procurou a defesa do empresário para explicar a situação. Em depoimento à polícia, no dia 15 de fevereiro, Clóvis Filho prestou esclarecimentos alegando não ter contado com condições físicas para prestar qualquer suporte ao sargento.

“Quando ele bateu de frente com a motocicleta, o airbag do carro foi acionado e atingiu a cabeça do meu cliente, provocando uma tontura leve. Quando ele saiu do carro, percebeu que a vítima era um sargento da Polícia Militar e que já havia pessoas em volta para ver o que havia acontecido. Por medo de represália popular, ou até mesmo de ser linchado, ele saiu do local e recebeu carona de uma desconhecida que o deixou na avenida Constantino Nery. Lá, ele ligou para um funcionário da empresa dele ir ao local para prestar assistência à vítima”, explicou a defesa do empresário. 

Ao chegar ao lugar do acidente e perceber que a vítima já estava morta, o funcionário informou ao empresário de que não poderia mais fazer nada. Imagens de câmeras de segurança, do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), instaladas ao decorrer da avenida, foram solicitadas pelo titular da Deat, mas segundo a defesa, até este sábado (24) não foram recebidas pela delegacia.

Segunda parte do depoimento da testemunha ocular à polícia – Foto: Divulgação

“A partir do momento em que eu trafego na minha via e na velocidade permitida, não sou culpado de outro carro bater em mim. Clóvis alegou que o sargento estaria na contramão e isso foi respaldado pelo laudo. A lei pune apenas as pessoas que colidem com alguém e não prestam socorro, desde que possam ajudar. Ele não tinha condições para isso, pois estava preservando a própria integridade física, com medo do linchamento, além de estar fisicamente tonto”,  diz o advogado de defesa.

Antecedentes e explicações

Boletins de Ocorrência, registrando pontos por excesso de velocidades e outras negligências, foram levantados contra Clóvis como o suposto motivo dele ter sido o causador do acidente. A defesa de Clóvis afirmou que não há relação entre as multas do empresário e a morte do sargento Antônio Sérgio, comprovadas pelo laudo pericial.

Na manhã do dia 17 de fevereiro, a família e amigos do sargento militar se reuniram em frente ao Clube de Sargentos e Subtenentes da Polícia Militar em ato de revolta pela morte do ente querido. O presidente do clube, Francisco Pereira, disse que iria fazer o que fosse possível para que o empresário respondesse pelo crime. “É revoltante saber que o assassino de um pai de família ainda está solto, além de ter sido indiciado por homicídio culposo, em que a pena é menor”, disse.

Apesar do laudo técnico ter sido apresentado à Deat, comprovando a inocência do empresário, o inquérito policial, que será encaminhado à Justiça, aponta a motivação do caso como homicídio culposo. Clóvis aguarda a conclusão das investigações em liberdade. Com informações do Em Tempo.

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