José Aldo anuncia despedida do octógono

Peso-pena está desde quarta-feira em hospital no Rio de Janeiro com infecção bacteriana. (Foto: Marcelo Barone)

A aposentadoria chega para todos os atletas – e a de José Aldo também se avizinha. Aos 31 anos de idade, o ex-campeão peso-pena do Ultimate escreve no próximo sábado, no UFC Calgary, contra Jeremy Stephens, um dos últimos capítulos de sua carreira, iniciada em 2004. O manauara – que garante ter quatro lutas em seu contrato vigente com a organização – sonha se aposentar com o cinturão que o acompanhou durante parte desta jornada. E, para encerrar o vínculo, espera atuar no Brasil, onde arrebanhou milhões de fãs.

Tenho essa e depois tenho mais três lutas. Falando de coração aberto: meu intuito agora é vencer esta luta e quem sabe, no futuro, disputar o cinturão. Se for campeão, posso parar, mas não renovo mais. Estou em contagem regressiva para encerrar a carreira. Fiz muito bem meu trabalho, me dediquei bastante, conquistei tudo aquilo que foi possível. Se conseguir o título antes das três lutas que faltam, paro bem antes, senão concluo o contrato e vou aproveitar a vida com a família, porque tudo que conquistei na luta me dá tranquilidade para parar muito bem. O objetivo é a gente lutar pelo título. Ganhando, faria uma despedida em casa, no Brasil. Seria lindo, foi onde comecei e onde queria terminar – revelou José Aldo.

Embora seja oriundo do jiu-jítsu, José Aldo ganhou notoriedade no MMA ao mostrar agressividade no muay thai. A arte tailandesa ficou em segundo plano em seus últimos confrontos, porém ele garante que os chutes baixos, reponsáveis por minar a base dos oponentes, reaparecerão.

– A gente treinou muito kickboxing, fiz também wrestling e jiu-jítsu, se precisar levar para o solo, mas vou chutar muito as pernas, é uma arma que vinha deixando a desejar. Estou bem treinado, aqui também treinando a mesma coisa todo dia para ficar na cabeça e soltar inconscientemente na hora da luta. Esqueci um pouco meu muay thai, jogo de pernas, que me trouxe até o título. Dei um passo atrás sem perceber, querendo lutar como boxer. Agora me vejo lutando no UFC, buscando título de novo e, conquistando, eu paro a carreira.

Confira outros trechos da entrevista:

Análise do adversário

Treinei para lutar em pé e no chão. Ele é um cara perigoso, que procura jogar o golpe com força. Se tiver oportunidade, posso colocar para baixo. Se tiver uma oportunidade em pé, vou chegar e vencê-lo. Eu acho que primeiramente vou em busca da vitória, não me importo com meu adversário, senão a gente já entra derrotado. Estou focado em mim, imprimir meu jogo que, assim, ele estará na defensiva e se preocupando com meus golpes.

Saudade da vitória

Quando a gente se acostuma a ganhar e acontecem as derrotas, ficamos tristes com isso. Faz parte do esporte. A gente sempre quer vencer. Nas duas últimas disputas de cnturão, perdi para o campeão, por isso fiquei tranquilo. Quero chegar lá dentro e vencer, por mim e pelos meus.

Luta de três rounds

Não sei se melhora ou piora para mim. Quando estou lá dentro, vou em busca da vitória, esqueço esse lado. Não me importa se são três, quatro ou cinco rounds. Eu me preparei bem, estou tranquilo porque sei que sábado a vitória é nossa.

Fim da pesagem matinal

“Tá” maluco! Isso complica muito a gente! Tem que manter a pesagem de manhã. Acorda, bate o peso. A gente antigamente batia 17h e ficava horas até chegar a pesagem oficial. Agora acorda, bate o peso, toma café da manhã, lancha, janta, almoça, muito mais fácil pesar de 9h às 11h do que como era antigamente. A de antigamente é um retrocesso de vida para a gente da po***.

Estabilidade financeira

Acho que a gente procurou priorizar o futuro, sempre sonhei em dar estabilidade para a família. Assim que entrei na luta, era meu principal objetivo. Até o Conor, que torrou o dinheiro dele, a gente sabe como acabou. Se ganho aquilo, talvez nunca mais lutasse, estaria tranquilo. Eu ajudo os amigos quando dá para ajudar, guardo o dinheiro em vários lugares para no futuro ter rendas boas, e o Dedé (Pederneiras, treinador e empresário) sempre me ensinou a ser desta maneira. Sempre que penso em fazer qualquer coisa, pergunto a ele o que posso fazer, onde posso investir, ele sempre fez parte dessa minha vida. Desde o início, na minha vida profissional e pessoal, ele me ajudou bastante.

Torneios de jiu-jítsu

A gente já lutou Mundial de novo ano passado, é uma prioridade que tenho. Do jiu-jísu eu saí e pro jiu-jítsu vou voltar ainda, tenho desejo de competir. Sempre que passam as lutas, boto quimono, tenho a paixão dentro de mim, vou voltar a competir também. Criei um evento de kickboxing, mas minha paixão maior sempre foi jiu-jítsu, que me trouxe aqui e me fez o campeão do povo que sou hoje. (Combate)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here