Governo e Prefeitura divulgam política de descentralização do atendimento de HIV/Aids

As secretarias Estadual (Susam) e Municipal (Semsa) de Saúde, em conjunto com o Ministério da Saúde (MS), lançaram, nesta segunda-feira (22/01), a campanha de divulgação da política de “Descentralização do Tratamento de HIV/Aids”. A estratégia visa ampliar o atendimento à população para além da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), unidade da rede estadual de saúde que é referência no atendimento das pessoas vivendo com HIV. A campanha foi anunciada no auditório Luiz Montenegro, da FMT-HVD, com a participação de vários segmentos que atuam na luta contra o HIV/Aids.

A coordenadora estadual de IST/Aids, Dessana Chehuan, explica que, com a descentralização, as pessoas que vivem com o HIV terão mais serviços à disposição, o que refletirá na qualidade do atendimento. “À medida que o serviço é ofertado em mais lugares, a demanda será absorvida melhor, o que resultará no atendimento mais rápido”, explica Dessana.
A coordenadora ressalta que a nova estratégia visa reduzir a sobrecarga da FMT-HVD e facilitar o acesso ao diagnóstico precoce e atendimento das pessoas vivendo com HIV a outros Serviços de Atendimento Especializado (SAE) implantados nas unidades de saúde municipais e estaduais. Segundo a coordenadora, quase 10 mil pessoas fazem tratamento ambulatorial na fundação atualmente. “Boa parte é de casos assintomáticos, que poderiam ser atendidos nos SAEs, por exemplo”, afirma Dessana.
Estrutura  O secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi, apresentou no evento a estrutura do município de Manaus para ofertar diagnóstico e atendimento de pessoas vivendo com HIV. Ele prometeu ampliar esta cobertura para os próximos anos.
 
“A secretaria municipal de Saúde possui hoje quatro postos de atendimentos, um em cada zona da cidade. Além destes quatro, nós próximos anos a gente pretende não medir esforço para ampliar o serviço em mais 15 unidades de saúde”, disse Magaldi.
Rede de atendimento – Pacientes portadores do vírus assintomáticos e de gravidade clínica moderada podem receber atendimento na Fundação Alfredo da Matta (Fuam), unidade da rede estadual de saúde e em quatro Distritos Sanitários de Saúde (Disa) da rede municipal – Disa Dr. Antônio Comte Telles (Disa Leste), Disa Dr. José Antônio da Silva (Disa Norte), Disa Dr. Franco de Sá (Disa centro-Oeste) e Disa Dr. Antônio Reis (Disa Sul).
Além dos SAEs, a Unidade Básica de Saúde (UBS) Artur Virgílio, na zona leste, também será um ponto de atendimento. De acordo com o gerente de vigilância epidemiológica da Semsa, Jair Pinheiro, o objetivo é que o serviço chegue em mais três unidades da atenção básica em 2018. “O município também assumiu o compromisso e planejamento de implantar os serviços em mais 15 UBSs da rede. Isso quer dizer que poderemos chegar a 18 unidades até 2020”, ressaltou.
Referência Terciária – A proposta de descentralização permite que a FMT-HVD seja restabelecida como Centro de Referência Terciária (retaguarda para os casos graves com necessidade de atendimento de alta complexidade) e de Treinamento para a Rede de Atenção.
O diretor de Ensino e Pesquisa da FMT-HVD, Wuellton Marcelo Monteiro, afirmou que a descentralização do atendimento das pessoas que vivem com HIV vai ao encontro das diretrizes do SUS, que pregam o atendimento humanizado e cada vez mais próximo à população. “Todo e qualquer agravo que possa ser resolvido o mais próximo possível das pessoas que precisam do Sistema Único de Saúde assim deve ser feito”, comentou.
Ação conjunta – A descentralização é uma ação conjunta do MS, Susam e Semsa, no âmbito do Acordo de Cooperação Interfederativa do Amazonas (Interfam), em parceria com a Aids Healthcare Foundation (AHF) e organizações da sociedade civil. O objetivo da campanha é informar a população sobre a possibilidade de realizar testagens, acompanhamento médico e dispensa de medicamentos em várias unidades de saúde da capital, além da FMT-HVD.
O Amazonas ocupa a terceira posição no ranking de estados que registram os números de novos casos de HIV/Aids. Somente em 2017, foram registrados 2.317 novos casos na região. Mais de 15 mil pessoas foram contaminadas no estado, entre 1986 e 2017.
Mais qualidade de vida – A diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV) do MS, Adele Benzaken, ressaltou que graças aos avanços no tratamento do HIV/Aids, é possível ampliar o atendimento, o que ajudará a desafogar os serviços oferecidos em grandes centros especializados, como é o caso da FMT-HVD.
“A ideia é criar uma rede de atenção que vai reforçar os centros de assistência e também termos uma unidade da atenção básica vinculada a esses serviços, para que tenhamos maior número de unidades fazendo assistência às pessoas vivendo com HIV. Hoje, o tratamento é mais simples, sem muitos efeitos colaterais. Então, quando essas pessoas chegam ao serviço, mais precocemente elas iniciarão o tratamento, o que vai melhorar a sobrevida e a qualidade de vida delas”, afirmou Adele. 

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