Ginasta indiana tentará o “salto da morte” em busca de medalha

Dipa Karmakar, ginasta da Índia que tentará 'salto da morte'
Dipa Karmakar, ginasta da Índia que tentará 'salto da morte'
Dipa Karmakar, ginasta da Índia que tentará ‘salto da morte’

Dipa Karmakar desafiará o perigo na Arena Olímpica do Rio, a partir deste domingo (7), na Rio-2016. A ginasta indiana, de 22 anos, tentará o chamado “salto da morte”, um verdadeiro tabu entre as atletas. Ele consiste em dois giros completos antes da chegada ao solo.

A aterrissagem, que precisa ser perfeita, com os pés cravados no chão, pode se transformar em um pescoço no solo. Um erro na execução pode causar uma queda errada e deixá-la tetraplégica ou até matá-la. “Eu peso 45 kg e, quando caio, minhas pernas suportam uma carga de 90 quilos. Se eu errar, todo esse peso vai para o meu pescoço”, disse Karmakar a jornais indianos.

A egípcia Fadwa Mahmoud estatelou-se com o rosto no chão e passou por muitos cuidados. Teve o pescoço imobilizado por um bom tempo. “Sei que é perigoso, mas é preciso correr riscos para vencer”, afirmou Karmakar.

A outra opção em caso de falha no salto é a aterrissagem com a bunda no chão, menos trágica e mais patética. Nota zero. Foi o que ocorreu algumas vezes com a dominicana Yamile Peña Diaz.

O “salto da morte” tem nome oficial. É o Produnova, homenagem a russa Yelena Produnova, a primeira a fazê-lo com maestria em 1999. Desde então, cinco ginastas tentaram a execução. Nenhuma delas com a perfeição exibida por Karmakar nos Jogos do Comonwealth, em 2014, em Glasgow.

Era seu último salto e ela sonhava com uma medalha. Escolheu, então, o Produnova. O grau de dificuldade foi sete, o maior de todos os saltos. A nota da execução foi 8,3. E, com 15,300, ela conquistou o bronze – a primeira medalha de seu país nesses jogos. No ano seguinte, já como celebridade nacional que não consegue andar cinco metros sem dar autógrafos, conseguiu o quinto lugar no Mundial.

É um final feliz para a garota pobre de Tripura, cidadezinha da Índia, que deu um trabalho muito grande ao seu professor Biswaswar Nandi antes mesmo de começar a treinar. Ela tinha pé chato e foi preciso muito exercício para transformá-la uma ginasta profissional.

Os aparelhos com que treinava não eram modernos, muito pelo contrário. E o ginásio sofria inundação anual na época das enchentes, com ratos e baratas circulando pelo local.

A recompensa pelo esforço veio em abril, no Rio, no evento teste da ginástica. O “salto da morte” colaborou muito. Ela conseguiu 15,066 pontos, a mais alta de todas as concorrentes. Fez apenas 11,700 nas barras paralelas, a segunda pior marca. Fez 13,666 na barra e 12,566 no solo. Um total de 52,998, que não lhe permite sonhar alto quando se fala do geral individual.

A chance de Dipa Karmakar é mesmo conseguir o salto desafiador pela terceira vez. Se conseguir, levará uma medalha. Será a primeira medalha de uma ginasta indiana a competir nos Jogos Olímpicos. Uma avenida estará aberta para que mais garotas indianas possam sonhar.

(Com UOL)

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