FMT inicia estudo que pretende embasar nova estratégia no tratamento de malária, oferecido pelo SUS

A FMT se tornou uma referência mundial no combate a endemias sazonais
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Um estudo que a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) está colocando em campo, vai identificar a prevalência da deficiência da G6PD em crianças do sexo masculino, moradoras de áreas de maior risco para a Malária, na capital. Financiada pelo Ministério da Saúde, a pesquisa, que é inédita no Estado, pretende servir de base para a introdução de novas estratégias de tratamento da doença no Sistema Único de Saúde (SUS), segundo explica a diretora-presidente da FMT, Graça Alecrim.

“Este estudo, que no Amazonas está sendo coordenado pela FMT, acontecerá também em outros 46 municípios de estados da região Norte – à exceção de Tocantins – e poderá, por exemplo, contribuir para que o Ministério da Saúde adote, no SUS, a realização do teste rápido para identificação da deficiência de G6PD”, explica diretora. Segundo ela, a adoção do teste, como rotina, seria muito importante para o adequado tratamento dos pacientes do sexo masculino portadores desta deficiência, acometidos pela malária.

A deficiência em Glicose-6-fosfato desidrogenase (G6DP) é um distúrbio genético, mais comum ao sexo masculino. Pessoas portadoras desse distúrbio podem desencadear uma anemia hemolítica aguda em resposta a certas drogas, como é o caso da Primaquina, o medicamento de primeira opção para o tratamento da malária. “Se pudermos dispor de um teste rápido que, antecipadamente, identifique esta deficiência genética do paciente, poderemos iniciar o tratamento já com uma terapêutica mais segura e indicada”, diz Graça Alecrim.

O uso da Primaquina em pacientes com a deficiência de G6DP pode desencadear anemia grave, que pode evoluir para insuficiência renal e até para o óbito. A proposta do estudo é, exatamente, ampliar as estratégias que possam reduzir os riscos desta ocorrência.

Coordenador do estudo, o bioquímico e pesquisador da FMT Wuelton Monteiro explica que a coletada de dados será realizada em 32 escolas da rede pública municipal, distribuídas por todas as zonas da cidade e localizadas em áreas consideradas de maior risco para a malária. “Firmamos uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação e já começamos
a visita às escolas para iniciar a coleta das amostras de sangue dos estudantes, que serão analisadas no laboratório da FMT e servirão de base para as conclusões do estudo”, disse Monteiro.

Antes de iniciar a coleta dos dados, o pesquisador reuniu-se com gestores, representantes das escolas e assessores das Divisões Distritais Zonais da Semed, para explicar a finalidade e a metodologia da pesquisa. “Nas escolas, os pais dos alunos são convidados para uma reunião para receber também essas explicações e assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, autorizando a participação da criança na pesquisa”, detalha o pesquisador da FMT.

Monteiro destaca que os meninos autorizados pelos pais a participarem do estudo têm coletada uma amostra de sangue que será posteriormente analisado para identificar o nível da deficiência em G6PD. “É um processo muito simples. Colhemos uma gotinha do sangue, da ponta do dedo, num procedimento idêntico ao exame da gota espessa, que serve para o diagnóstico da malária”, frisa o bioquímico.

IndicadoresO primeiro trimestre de 2015 fechou com uma redução de 20,15% no número de casos de malária, registrados em todo o Amazonas, na comparação com o mesmo período do ano de 2014. Segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), vinculada à Secretaria Estadual de Saúde (Susam), de janeiro a março deste ano foram registrados 10.465 casos da doença, contra 13.106, nos três primeiros meses do ano passado. 

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