Falsas vítimas de incêndio no Educandos são retiradas de abrigo

(Foto: Rickardo Marques/G1)

Cinco famílias que se passavam por vítimas afetadas pelo incêndio no Educandos desta semana foram retiradas de abrigo pela polícia. Segundo o pároco da Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Amarildo Luciano, as pessoas afirmavam que haviam perdido tudo na tragédia na esperança de receber benefícios e donativos. A Polícia Civil deve investigar o caso.

O incêndio teve início às 20h de segunda-feira (17) e destruiu 600 casas. A prefeitura de Manaus decretou situação de emergência por conta do ocorrido. ONGs e outros grupos seguem coletando doações na capital.

A paróquia foi uma das primeiras a receber os desabrigados do incêndio. O pároco informou que várias pessoas que não tinham vínculo familiar com as vítimas do incêndio foram identificadas pelos próprios moradores e retiradas da paróquia. Estas “falsas vítimas” aproveitaram a situação para receber cestas básicas, colchões e outros benefícios.

“Preciso esclarecer que no primeiro dia muita gente veio para cá e se misturou aos moradores afetados, mas depois de uma triagem feita pelos próprios desabrigados foram identificados como moradores de outras áreas. Por isso, foram obrigadas a se retirarem da paróquia. Essas pessoas mal intencionadas não podem usurpar o direito que quem já não tem mais onde morar”, cocluiu. .

O industriário Darlan Firmino, vítima do incêndio que perdeu a casa, reclamou sobre a falta de respeito das pessoas que se aproveitaram do sofrimento das vítimas para tentar buscar algum benefício.

“Isso é inadmissível! E o pior de tudo isso é que todos nós vizinhos passávamos o Natal em família e agora elas estão dispersas em outros abrigos. O nosso Natal vai ser triste este ano”, disse.

A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) aprovou para as famílias desabrigadas cerca de R$ 35 mil. Firmino afirmou que a quantia não é suficiente para ajudar todas as famílias.

“Se vamos receber somente R$ 35 mil, o jeito vai ser voltar pra lá. Não tem condições de fazer quase nada com esse dinheiro. Não importa onde seja o meu novo lar, o que nós queremos é uma casa para vivermos com nossas famílias”, relatou.

As vítimas informaram também que até agora o cheque de R$ 900 que o Governo disponibilizaria para cada família ainda não foi dado a ninguém. O feirante Leandro Fernandes afirmou que foi oferecido um valor de R$350 para alugar apenas um quarto.

“Não tem imóvel neste valor para alugar. Nós estamos nessa angústia de não saber qual vai ser nosso futuro. Até hoje ainda não tive condições psicológicas para voltar a trabalhar na feira da Panair, de onde tiro o sustento da minha família”, lamentou.

Por meio de nota, o governo informou que o cheque será entregue em breve, assim que o cadastramento das famílias e o trâmite administrativo e financeiro estiverem encerrados.

O Governo do Amazonas disse ainda que, por meio da Defesa Civil, Seas, FPS, Sejusc e outros órgãos estaduais, continua o atendimento das famílias, com diversas ações, dentre elas a emissão de documentos e a distribuição de ajuda humanitária.

O delegado-geral da Polícia Civil, Frederico Mendes, informou que o furto das doações praticado por quem não foi prejudicado é considerado crime. Além do inquérito para investigar a causa do incêndio, a Polícia Civil deve realizar um desdobramento por conta das pessoas que tiraram proveito da situação para obter benefícios.

“Há informação de que algumas pessoas que não residiam na área afetada estão buscando órgãos estaduais e municipais no sentido de se promoverem para adquirir recursos sem precisar. Quero dizer a essas pessoas que elas estão cometendo crimes graves e vamos investigar”, afirmou o delegado.

Fonte: G1

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