Ex-secretario de saúde alerta para a crise na saúde em Manaus

Homero de Miranda Leão

A palestra “Saúde pública nos municípios do Amazonas – SUS: Realidade x Utopia” aconteceu sábado, 24/8, na sede do PDT/AM, localizada na Av. Airão, Centro, a cargo do ex-secretario de saúde Dr. Homero Miranda Leão fazendo uma analise da situação crítica em que se encontra a saúde na capital, demostrando com dados o pouco investimento no Brasil nesta área (apenas 3%). A iniciativa foi da diretoria do PDT e participaram executivos do partido, militantes, lideranças comunitárias, estudantes, entre outros.

O médico sanitarista e experiente na vigilância sanitária, Dr. Homero Miranda Leão, apresentou dados e dizendo que a demanda na atenção à saúde, devido ao crescimento da população manauara, não é acompanhada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “80% deveria ser recepcionada na atenção básica para resolver e não sobrecarregar os hospitais. Além de ser um gasto maior quando não é assim, mas a maioria da população já sabe da crise na saúde e no SUS. Embora a Constituição Federal de 1988 seja um direito do cidadão e tenhamos mais de 40 mil Unidades Básicas de Saude (UBS), o sistema esta colapsado devido ao crescimento da população, o desemprego e outros fatores”, frisou

Brasil investe 3% em saúde enquanto no continente africano é 9%

Segundo o ex-secretario de saúde, em vez de aumentar o investimento na área de saúde nos últimos tempos nenhum governo no Brasil se preocupou com isto e se manteve o mínimo de 3%, enquanto países do continente africano tem 9% e a Suiça são investidos 22%.

“Um dos piores governos foi o do Temer que aprovou a “PEC da morte” congelando os recursos para a saúde nos próximos 20 anos. Assim, o orçamento ficou reduzido a pagamentos de pessoal num custo de 20% e somente 5% de investimentos, o que é insuficiente. Embora a União aporte com 9% e o Estado com 12% são os municípios os executores do serviço e que destinam recursos próprios (15%)”, disse.

Investir na Atenção Básica é economizar na atenção de alta complexidade

“Investir na Atenção Básica é economizar na atenção de média e alta complexidade. Isto significa que as UBs, casinhas de saúde e outras da atenção básica deveriam resolver os problemas do 80% da demanda, mas vemos que em Manaus o sistema é sobrecarregado. Temos apenas uma maternidade e temos uma crise financeira, desemprego além de problemas de corrupção e incompetência para piorar o SUS”, salientou o ex-secretario municipal.

Homero de Miranda Leão explicou ainda que falta uma rede de informação integrada e eficaz do paciente. “Não temos um prontuário eletrônico, assim cada consulta acaba sendo uma nova consulta. Faltam médicos e em geral pessoal de saúde. Uma das maiores dificuldades continua sendo a marcação de consulta e exames pelo Sisreg. Há deficit de leitos e não temos saúde de qualidade investindo apenas 3%”, destacou.

Reportagem: Mercedes Guzmán

 

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