“Pretendo me lançar candidato ao governo”, declara José Melo

Vice José Melo
Vice José Melo

O vice-governador José Melo é economista, formado pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), é filho de Eurinepé, casado e pai de sete filhos e avô de uma neta, cresceu nos seringais ouvindo a Voz da Amazônia em espanhol, começou a ler com quase 12 anos e passou de vendedor de frutas a datilógráfo da Universidade do Amazonas (UA)

BLOGdaFLORESTA: O senhor nos contou que dois homens foram fundamentais em sua vida. Fale sobre essa transição que mudou sua vida?

JOSÉ MELO: Eu vendia frutas para um senhor chamado Jauarí Marinho, à época reitor da Universidade do Amazonas (UA), e um dia ele me perguntou se eu não queria outro emprego, se sabia datilografia, eu não sabia nem o que era isso, aí ele me colocou na escola chamada Rayol, foi então quando comecei a traçar minha caminhada na UA. Após três meses fui trabalhar na Universidade,  depois trabalhei com Adelson Dutra. Esses dois senhores foram fundamentais para mim, do ponto de vista cultural e de atitudes. Eram dois homens extremamente probos, competentes, trabalhadores e intelectuais. Foi a primeira universidade da minha vida, após meu pai. Pois com meu pai aprendi os valores éticos, sobre os direitos e deveres, ponderar sobre tudo, entre outras coisas. Depois vieram esses dois homens que trouxeram uma nova universidade, a do conhecimento, da competência, eu aprendi muito com eles.

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BLOGdaFLORESTA: E como foi chegar a ser secretário de educação?

JOSÉ MELO: Neste caminho encontrei o Prof. Randolfo Bittencourt que me perguntou se eu queria ser delegado do Ministério de Educação, há essa  altura nós trabalhávamos juntos na Universidade e eu já não era datilógrafo. Na condição de delegado do Ministério de Educação eu comecei a fazer projetos para construir escolas no interior, onde havia muita carência de infraestrutura, então eu passei a ser muito conhecido. Um dia estávamos em Tabatinga, aí chegou o Amazonino (Mendes) Governador do Estado. Procurou saber com o prefeito, Hélio Bessa, quem era Zé Melo. Foi quando ele me convidou para ser seu secretário de educação, isso no seu primeiro governo como governador. Aí eu iniciei a terceira universidade da minha vida. Fui secretário de educação no governo estadual, depois municipal. Em seguida, Amazonino é governador novamente e eu voltei a ser secretário de educação de novo. Nesse período eu me elegi deputado federal, aí ele me tirou de lá para assumir novamente a secretaria. Depois me elegi novamente deputado federal, sendo na época o mais votado de toda a história política do Amazonas. Ainda fui deputado estadual, fui o terceiro no pleito, nessa época eu estava preparado para ser o vice-governador do Eduardo, mas aí me tiraram e colocaram o Omar. Eu pensava que aquele era o meu tempo, mas o tempo é de Deus e não meu.

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BLOGdaFLORESTA: Falando nisso, como foi sua relação com os políticos que marcaram a história do Estado do Amazonas?

JOSÉ MELO: Lembro muito o aprendizado com os políticos como Amazonino Mendes, sua parte humanista,  seu amplo  conhecimento da nossa realidade e sua visão do futuro. Com Eduardo Braga aprendi a parte cartesiana que também é fundamental. Embora tenha me relacionado pouco com Gilberto Mestrinho fiquei impressionado pela capacidade política que mostrava. Agora eu estou tendo uma experiência fantástica na minha vida. A convivência com o Omar tem sido pra mim a maior de todas as alegrias como mentor, porque ele não tem vaidade, não coloca nenhum obstáculo para eu governar ao lado dele. Então o Omar foi o coroamento da vida pública que eu tive, assim encontrando pessoas cultas e tal. Acabei encontrando uma pessoa que reúne valores do ponto de vista do povo, vale mais do que qualquer um que já tinha aprendido com os outros, até então. O Omar decidiu governar gerando oportunidades. Acho muito importante o programa “Viver melhor” e a sua decisão por investir pesadamente no interior do Estado. A marca do governo do Omar é gerar oportunidade. Ele está deixando quatro coisas importantes: criação de peixes; subsidio ao calcário; a decisão de investir em mecanização e a cidade universitária.

BLOGdaFLORESTA: O Amazonas tem muitas riquezas, que áreas se priorizarão para o desenvolvimento do estado?

JOSÉ MELO: O Amazonas tem muita riqueza ainda para ser explorada, no meu entendimento como vice-governador do Estado do Amazonas. Um exemplo é o gás, o  petróleo, os  minérios, a produção de cosméticos, de fármacos, além da riqueza natural da própria região que está para ser desenvolvida ainda nesta gestão, mas para isso, precisamos aprender a explorar de forma sustentável. A criação de peixes em cativeiro é uma grande alternativa no futuro para exportar alimento ao mundo. Eu não só sonho, como está tudo aqui na minha cabeça, para que se Deus quiser e o povo, eu transformar em coisas poupáveis para o Amazonas.

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BLOGdaFLORESTA: O senhor demonstra um carinho muito grande pelo interior do Estado, como fica a questão da agricultura no interior do estado?

JOSÉ MELO: Eu amo o interior do Estado, já começamos esse trabalho de incentivo e valorização da agricultura entre outros incentivos ao interior. O Amazonas produz muito, ainda não autossuficiente, mas isso, não é nada, é apenas uma economia familiar. Nós temos que olhar o Amazonas sob dois ângulos, você não pode dizer ao homem que produz 2 hectares, que ele não pode mais produzir, não aquele homem precisa continuar sendo atendido. Mas o Amazonas que eu quero, que devemos olhar para o futuro, é o Amazonas maior produtor de peixe do mundo. Temos que pegar dinheiro a fundo perdido e fazer o primeiro movimento. Nossa agricultura precisa começar a ser mecanizada. Na atualidade o governo está subsidiando num primeiro momento maquinário que são entregues no interior (Careiro, Autazes, Careiro Castanho, dentre outros). A parceria neste sentido é fundamental para procurar as soluções em conjunto e melhorar desta forma a nossa economia beneficiando a todos. Um dos trabalhos neste sentido será contar com as balsas refrigeradas por exemplo. Então o Amazonas do futuro, é do peixe do gás, da farmacopeia, da produção de produtos de beleza, através dos nossos produtos regionais.

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BLOGdaFLORESTA: Agora falando em eleições 2014. O senhor saiu do PMDB, como foi essa decisão? Já tem um partido de preferência para lançar sua candidatura a Governador?

JOSÉ MELO: Quando eu fui indicado para ser vice-governador o senador Eduardo Braga disse que eu teria que ir para o PMDB, meu partido era o PRP, negociei com o dirigente do meu partido e fui para o PMDB. Saímos candidato. Ganhamos eu e Omar. Quando o Eduardo era vice do Amazonino, chegou com a gente e disse que queria sair governador, todos nós entendemos. Quando o Omar era vice do Eduardo e disse que queria reeleição, todos nós entendemos. Por que essa regra não vale para mim? Eu sou vice-governador e eu pretendo me lançar candidato ao governo. Acontece que eu não tenho os votos do PMDB. Nunca saí em nenhuma mídia do partido e eu não tenho a mínima chance de sair candidato por ele. Então para não causar constrangimento nem ao senador e nem a mim, eu providenciei a minha saída do partido. E como o Eduardo é um democrata, acredito que ele não queira entrar na justiça para tentar me tirar o mandato, sair candidato é uma coisa, mas quem decide é o povo. Então vamos lá discutir o futuro do Amazonas, a saúde, educação, o social e deixa que o povo decida, mas não me castrar hoje. Eu tenho o maior respeito e carinho por ele, mas por outro lado, eu tenho meus sonhos, há trinta anos que luto para isso, tenho os conhecimentos necessários pra gerenciar esse Estado, tenho experiência e todo o vigor, então eu vou lançar. Quanto a minha filiação a um novo partido, eu vou aceitar e representarei o partido que realmente garanta minha candidatura, onde possa me sentir confortável para realizar o trabalho, mas agora não posso dar o nome. 

 

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