Em situação crítica, sete estados brasileiros deveriam decretar lockdown

Profissionais do Samu de São Paulo retiram corpo de vítima que morreu com suspeita de Covid em casa. ─ Foto: Yan Boechat

Sete estados brasileiros têm o sistema de saúde estrangulado pela falta de leitos hospitalares e acumulam condições que tornariam o “lockdown” a política mais eficiente contra a Covid-19, segundo levantamento a partir de dados fornecidos pelas secretarias estaduais. São eles: Amazonas, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo — todos com mais de 80% das vagas de UTI ocupadas.

O estado com maior taxa de ocupação é Pernambuco, com 98% dos leitos de unidades intensivas usados por pacientes com o novo coronavírus. Além das vagas escassas, o Brasil ainda não conseguiu reduzir a taxa de contágio, com cada contaminado transmitindo a doença para quase três pessoas, segundo dados do Imperial College — número que também deve ser considerado para tomada de medidas mais drásticas.

Ontem, o Brasil bateu recorde de mortes registradas em 24 horas: 751 óbitos, além de 10.222 novos casos. O país acumula 9.897 mortes e 145.328 diagnosticados. Mesmo diante da escalada dos números e da necessidade de medidas de isolamento, defendidas por especialistas, o presidente Jair Bolsonaro reforçou que a responsabilidade pela manutenção do fechamento do comércio é de governadores e prefeitos.

— Sabe que a decisão de fechar o comércio é dos governadores e prefeitos, não é minha. Se fosse minha, eu teria uma posição um pouco diferente da que eles estão tomando aí. Se dependesse de mim, grande parte já estaria trabalhando. Outra grande parte não teria deixado de trabalhar — disse Bolsonaro a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada.

Um estudo publicado ontem pelo Imperial College, de Londres, apontou que o surto do novo coronavírus no Brasil apenas começou e que, embora as medidas de distanciamento tenham diminuído a disseminação, a situação irá piorar caso não sejam adotadas formas mais rígidas de isolamento. Segundo o estudo, a doença ainda está fora de controle no Brasil.

Por EXTRA

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