Em 2020, fogo queimou a Amazônia, o Pantanal e a imagem do Brasil

Números, declarações de autoridades e consequências dos incêndios marcaram o ano que chega ao fim

As queimadas que acometeram dois grandes biomas brasileiros em 2020 atraíram os olhares do mundo para o país do presidente Bolsonaro. A forma como o governo federal lidou com a Amazônia e o Pantanal foi assunto no debate presidencial dos Estados Unidos , gerou complicações diplomáticas e trouxe entraves econômicos para o Brasil.

Através das declarações do presidente Jair Bolsonaro e do ministro Ricardo Salles , ONGs e povos tradicionais foram atacados. Sobrou até para o ator norte-americano Leonardo DiCaprio .

E 2020 também foi o ano em que Salles defendeu ‘passar a boiada’ enquanto a atenção da imprensa estivesse voltada para a pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2).

Em agosto, o Ministério do Meio Ambiente chegou a anunciar a suspensão de “todas as operações de combate às queimadas no Pantanal e demais regiões do País” . Depois, o vice-presidente Hamilton Mourão negou que a interrupção aconteceria e as operações continuaram.

Amazônia

Antes mesmo do ano terminar, 2020 conseguiu ultrapassar a quantidade de focos de incêndio registrados em 2019 na Amazônia .

De janeiro a dezembro do ano anterior, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectou 89.176 pontos de calor. De janeiro até 22 de outubro de 2020, foram registrados 89.604 focos. Até 21 de dezembro, haviam sido contabilizados 102.707.

Ao lado das queimadas , o desmatamento da região também chamou a atenção de líderes estrangeiros .

Durante um dos debates presidenciais dos Estados Unidos, o democrata Joe Biden afirmou que, caso o Brasil não contivesse a devastação da floresta amazônica , o país poderia “enfrentar consequências econômicas significativas”.

Além disso, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Emmanuel Macron já demonstraram que a política ambiental do governo Bolsonaro representa um entrave para a consolidação do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.

Diante de críticas da comunidade internacional, o governo federal assumiu uma postura defensiva e negacionista .

Jair Bolsonaro adotou um discurso segundo o qual “quando acabar a saliva, tem que ter pólvora” , Ricardo Salles afirmou que a imprensa estaria “torcendo os fatos para incriminar o presidente” e Hamilton Mourão se esquivou dizendo que as queimadas na Amazônia não são “não são padrão Califórnia ou Austrália”.

Pantanal

Outro bioma que registrou aumento de pontos de incêndios foi o Pantanal, considerado um patrimônio natural da humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Em 2020, o Inpe detectou 22.062 focos ativos contra 10.025 no ano anterior. Calcula-se que as chamas consumiram uma área superior ao total devastado entre 2000 e 2018.

Conforme apontam o Inpe e a UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso), 23 mil km² foram queimados em 2020 . De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Pantanal perdeu cerca de 2,1 mil km² de área nativa entre 2000 e 2018.

Comunidades indígenas, quilombolas e pantaneiras foram prejudicadas e a flora e a fauna também foram castigadas pelas chamas em 2020.

Em meio à crise ambiental que atingiu a região, Ricardo Salles defendeu, assim como a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, o uso de gado para redução das queimadas .

Em um relatório final sobre o Pantanal , a comissão externa da Câmara dos Deputados culpabilizou “ações humanas criminosas” e “condutas estatais, no mínimo, ímprobas”, dizendo não ser possível responsabilizar apenas as mudanças climáticas pela alta das queimadas.

Fonte: Último Segundo

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