E lá se foi ele…

E lá se foi ele… para o além do tudo. Para mais que o tudo que seus olhos viram nesse planeta ainda azul… E lá se foi ele… Só ficou a sua presença na lembrança encharcada de pranto, forjada pela dor da saudade. Buscada presença pela janela da alma de um olhar curioso, carente, coberto de nevoas… Embaçada visão que se alonga na curva da esperança desbotada, cansada, ansiosa, silenciada pelo o ar de um mundo gelado, congestionado de desejos…  E lá se “foi”… nossas brigas, discussões, desacertos, sempre necessários para rimar e rumar como as águas que desaguam; se misturam para formar a imensidão dos oceanos… A vida é feita de ventos fortes, temporais, turbulências também. Tão necessários para chegarmos no tempo da brisa suave, leve, acariciando a vida colorida dos varais. Curtidos pelo sol das manhãs sorridentes que alegram a vida e dão a força que precisamos para caminharmos firmes no caminho de todas as estações. Viver é nos exercitar, nos preparar para o inesperado momento, onde a pedra no caminho pode fazer a diferença…  E lá se foi ele deixando pra trás o brilho do seu olhar em cada imagem captada no universo da sua labuta, o toque da sua mão em cada folha virada, no balançar das redes do seu tempo, compondo assim sua perfeita história no palco desse grande espetáculo que é a nossa existência… E lá se foi ele… na sua bagagem nada além do que – nós, nem ele – nunca vimos. Tudo porque a moldura do silencio desse momento nunca foi quebrada e também nunca foi vista ou sentida. Só a imaginação de quem ficou vagueia, perambula desnorteada até a chegada do momento em que nos convencemos que a sua bagagem está cheia da nossa saudade, da nossa vontade de fazê-lo renascer todos os instantes… E, lá se foi ele… Mário César da Silva Dantas.

>>>Texto: David Almeida

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here