E lá se foi Ele… Mário César da Silva Dantas

Jornalista Mário Dantas

E lá se foi Ele… para o além do tudo, para mais que o tudo, que seus olhos viram nesse Planeta ainda Azul…

E lá se foi Ele… Só ficou a sua presença na lembrança encharcada de pranto, forjada pela dor da saudade. Buscada presença, pela janela da alma, de um olhar, curioso, carente, coberto de névoas…

Embaçada visão que se alonga, na curva da esperança desbotada, cansada, ansiosa, silenciada pelo o ar de um mundo gelado, congestionado de desejos…

E lá se “foi” Ele… silenciou nossas vidas, nossas brigas, discussões, desacertos, sempre necessários para rimar e rumar como as águas que desaguam; se misturam para formar a imensidão dos oceanos…

A vida é feita de ventos fortes, temporais, turbulências, também, precisos, para chegarmos no tempo da brisa suave, leve, acariciando a vida colorida dos varais, curtidos pelo sol das manhãs sorridentes, que alegram a vida e dão a força que precisamos para caminharmos firmes no caminho de todas as estações.

Viver é nos exercitar, nos preparar para o inesperado momento, onde a pedra no caminho pode fazer a diferença…

E lá se foi Ele, deixando pra trás o brilho do seu olhar, em cada imagem captada no universo da sua labuta, o toque da sua mão em cada página virada, no balançar das redes do seu tempo, compondo, assim, sua perfeita história, no palco, desse grande espetáculo que é a nossa existência…

E lá se foi Ele… na sua bagagem, nada além do que – nós, nem Ele – nunca vimos, tudo porque, a moldura do silêncio desse momento, nunca foi quebrada, também, nunca foi vista, sentida, só a imaginação de quem ficou, vagueia, perambula desnorteada, até, a chegada do momento, que nos convencemos da sua eterna ausência ficando sua bagagem cheia de saudade da vontade de fazê-lo renascer todos os instantes… E lá se foi Ele… Mário César da Silva Dantas.

Texto: David Almeida

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