Doenças renais: a epidemia silenciosa no Amazonas

"Temos que reunir forças conjuntas e fazer a prevenção na base, nos postos de saúde, nos consultórios médicos, onde for possível", afirma o nefrologista Luiz Ricardo Chagas
“Temos que reunir forças conjuntas e fazer a prevenção na base, nos postos de saúde, nos consultórios médicos, onde for possível”, afirma o nefrologista Luiz Ricardo Chagas

O Amazonas está passando por uma epidemia silenciosa, tratasse da “Doença Renal”, devido ao sedentarismo, diabetes, hipertensão, todos os dias cerca de cinco novos portadores da doença são detectados somente no Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, onde existe apenas duas máquinas de hemodiálise que são colocadas  a disposição dos pacientes, que se revezam como podem em uma luta insana, pois a demanda aumenta a cada dia.

Para amenizar a situação, a Secretaria Estadual de Saúde (Susam) mantém convênios com clínicas especializadas e o mais recente centro de hemodiálise entregue a população foi o Centro de Hemodiálise Francisco de Assis Farias Rodrigues (Deputado Francisco Bambolê), que funciona na Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ), na Avenida Carvalho Leal, bairro Cachoeirinha, na zona Centro-Sul. O Centro é um dos mais modernos do Brasil, com equipamento de última geração na área renal, com a capacidade operacional para atender mais de 230 pacientes em três turnos, aliviando o sofrimento e levando esperanças a centenas de famílias amazonenses.

Doenças renais no Brasil

Atualmente, mais de 120 mil brasileiros têm insuficiência renal e fazem hemodiálise. A cada ano, segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, 21 mil pessoas entram nesse grupo.

Entre as causas do problema, estão a hipertensão, o diabetes e o uso excessivo de anti-inflamatórios, vendidos sem controle nas farmácias. Esse tipo de medicamento, se consumido rotineiramente ou em excesso, pode provocar lesão nos rins.

Política pública

O rim é um órgão vital para o equilíbrio da saúde. Do formato de um grão de feijão gigante e do tamanho de uma mão humana fechada, é normalmente duplo, mas pode-se viver com apenas um. É o filtro do corpo humano e precisa de muita água.

O Dia Mundial do Rim foi criado para chamar a atenção da sociedade para a doença renal crônica, que é a perda progressiva — e muitas vezes irreversível — da função dos rins, o que pode fazer o paciente necessitar de hemodiálise ou transplante para não morrer.

Centro de Hemodiálise Bambolê, na FHAJ, atendente 230 pacientes nos três turnos

Toxinas

A hemodiálise é o procedimento no qual uma máquina faz o trabalho do rim doente, ou seja, limpar e filtrar o sangue, eliminando resíduos prejudiciais à saúde, controlando a pressão arterial e mantendo o equilíbrio de sódio, potássio, ureia e creatinina, entre outros sais e minerais.

Todo o sangue é filtrado várias vezes ao dia, fazendo com que ele volte limpo ao coração. As toxinas são eliminadas na forma de urina.

Doença silenciosa

A retenção de toxinas resulta numa condição muito séria conhecida como uremia. Os sintomas da uremia incluem náuseas, debilidade, fadiga, desorientação, dispneia e edema nos braços e pernas.

Beber muita água e ter a urina clara, porém, não é garantia de que os rins estão saudáveis. Muitas das doenças que atingem o órgão são silenciosas, detectáveis apenas por meio de exames clínicos ou de imagem, e têm sintomas tardios. A doença renal crônica não acomete apenas em idosos, mas também em muitos jovens.

O nefrologista Luiz Ricardo Chagas faz um alerta à sociedade brasileira. “Temos que reunir forças conjuntas e fazer a prevenção na base, nos postos de saúde, nos consultórios médicos, onde for possível, para que se possa detectar os primeiros sintomas e assim  se evitar que o problema chegue nos centros de grande complexidade”, disse o médico.  Ele também informa que na maioria das vezes quando um paciente procura um especialista em nefrologia a pessoa já está acometido pela doença dos Rins.

Fatores de risco

No Brasil, a campanha iniciada todo ano no Dia Mundial do Rim é coordenada pela Sociedade Brasileira de Nefrologia. Neste ano, o foco é obesidade, situação que pode causar ou agravar problemas renais.

A entidade chama a atenção para os fatores de risco que obrigam o cidadão a ter ainda mais cuidado com os rins: pressão alta, diabetes, idade superior a 50 anos, histórico de doenças renais na família, uso de remédios sem orientação médica, tabagismo e doenças cardiovasculares, além do sobrepeso.

Texto e Fotos: Kennedy Lyra

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here