Dilma cria estação ecologia em Maués contrariando posicionamento de comunitários, município e Estado

Dep. Sidney Leite
Dep. Sidney Leite
Dep. Sidney Leite

Mesmo com o posicionamento contrário de comunitários, autoridades municipais e estaduais, a presidente Dilma Rousseff assinou na última quinta-feira (16) um decreto que autoriza a criação da Estação Ecológica Alto Maués (Esec Alto Maués), no município de Maués (distante a 280 quilômetros de Manaus). A criação da estação, que vem sendo alvo de discussão desde 2008, pode afetar diretamente o desenvolvimento econômico da região, uma vez que a área é rica em minério, além de apresentar uma ameaça a centenas de famílias que vivem nas comunidades localizadas dentro da nova reserva.

A Esec abrange uma área de aproximadamente 670 mil hectares e pertence a uma das categorias mais restritivas do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), sendo exclusivamente destinada à preservação e realização de pesquisas científicas, com uma abertura para visitações de cunho educacionais.

De acordo com o deputado estadual Sidney Leite (PROS), líder do governo na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) e ex-prefeito do município de Maués, há anos a criação da Esec vinha sendo especulada e em todos os momentos, tanto o município, quanto o governo do Estado, os comunitários e a comunidade de forma geral se mantiveram contrários à decisão do Governo Federal que sinalizava para a implantação da estação.

Em 2011, após moção de repúdio assinada pelos vereadores da Câmara Municipal de Maués e os deputados estaduais da Aleam, novas discussões foram feitas e novamente houve sinalização contra a criação da estação por estar sendo tratada como uma forma de compensação, tendo em vista a concretização, naquele ano, do Complexo Hidrelétrico do Tapajós, no Pará, que levou a desafetação de sete unidades de conservação (UCs) federais e à perda de conquistas socioambientais até então alcançadas.

“Essa é uma unidade de conservação que, diga-se de passagem, ninguém tem acesso. É o modelo mais rígido, e o governo federal o faz como moeda de troca em relação à Hidrelétrica do Tapajós. É lamentável. E isso demonstra claramente a desarticulação do governo federal no que diz respeito às políticas públicas do estado do Amazonas. E eu, como parlamentar, não só repúdio, mas vou apresentar uma moção de repúdio por falta de consulta à comunidade, por falta de consulta ao município de Maués e por falta de diálogo com o governo do Estado, enfiando uma decisão goela a baixo”, frisou o parlamentar.

Leite disse que essa decisão interfere no desenvolvimento econômico de Maués tendo em vista que essa é a maior região de potencial ourives já detectado pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) do estado do Amazonas e uma das maiores reservas de ouro da Amazônica Brasileira.

“Quero aqui não apenas repudiar, mas lamentar a falta de política articuladas por parte do governo federal. Nós não podemos aceitar isso passivamente. Estarei tomando providência junto à mesa diretora da Aleam para que a gente possa recorrer dessa decisão.”

O parlamentar já levou o caso ao presidente da Aleam, deputado estadual Josué Neto (PSD) e também conversou com a secretária de meio ambiente e desenvolvimento sustentável, Kamila Amara, sobre o assunto.

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