Debate trata sobre demarcação de terras indígenas em Barcelos

Da Redação – Nesta sexta-feira (27), na Câmara Municipal de Barcelos, foi realizada uma Audiência Pública pela Assembléia Legislativa do Amazonas (Aleam) solicitada pelo deputado Sinésio Campos (PT) (requerimento 4660) para debater e encaminhar providências sobre desenvolvimento econômico e social e processos de demarcação de terras indígenas no município. Participaram os deputados Abdala Fraxe (Pode), Luiz Castro (Rede), representantes indígenas, do Ministério Público, juízes e outros.

“Estamos aqui para ouvir os representantes das lideranças indígenas e apontar o caminho dentro das leis, somos a favor da proteção dos povos indígenas e queremos saber quais os conflitos na demarcação das terras”, disse o deputado Luiz Castro (Rede).

Contrários a demarcação de terras indígenas

O vereador Allen Gadelha (PSB) apontou o Instituto socioambiental (ISA) como a ONG que esta atuando no ‘convencimento’  às pessoas para assumirem identidade indígena para reforçar o processo de criação das áreas. O relatório da CCJ identifica as ONGs Climate Alliance (Alemanha), Rainforest Foundation Norway (Noruega), Ford Foundation (EUA) e outras seis estrangeiras e brasileiras.

“Somos contrários nos moldes que esta sendo proposta esta demarcação que poderá levar o município a enfrentar dificuldades caso fossem demarcadas como terras indígenas porque varias atividades econômicas, oriundas do extrativismo, da pesca e do turismo ecológico, pode deixar sem emprego e renda a 10 mil trabalhadores”, salientou o vereador Gadelha. A preocupação segundo o parlamentar reside em que 80% da área territorial de Barcelos seria indígena. “A população urbana tem que participar do debate. O povo mestiço, o caboclo, o ribeirinho têm o mesmo direito. Precisamos entender como estas pessoas vão entrar nestas áreas e pegar o cipó da piaçaba ou a madeira, ou o peixe ornamental. Estaremos limitando mais ainda a população que não tem trabalho e cirando um bolsão de pobreza”, afirmou.

Ver. Roberto Alves

“Esta audiência refere-se a atuação de algumas ONGs que apontam a demarcação das terras indígenas onde sai prejudicada a população de Barcelos porque ficariam sem meios de subsistência. Há conflito de interesses”, falou o vereador Roberto Alves (PTB).

Preconceito e resistência contra os indígenas é grande

O presidente da Fundação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), Marivelton Baré também comentou o assunto. “Fomos convidados e estamos representando os povos indigenas, queremos ouvir o que esta incomodando aos políticos que são contrários ao reconhecimento oficial das terras indígenas, somos povos originários (Mariuã) e queremos responder dentro da lei, somos cinco mil indígenas que moram em Barcelos (Baré, Tukano, Tikuna e outros)”.

Segundo o líder indígena Baré, os próprios parlamentares deveriam conhecer as etnias, pois muitos votaram nestes políticos, também os Yanomami. “O governo municipal, estadual e a União tem que cumprir o seu papel de implementar as políticas públicas”, salientou.

“Sabemos que há uma discriminação muito grande aqui em Barcelos contra os indígenas, assim como uma resistência por parte dos outros a reconhecer os nossos direitos. Os nossos povos têm historia. Temos direitos e isto não se negocia. Se cumpre”, salientou Baré.

Reportagem & Fotos: Mercedes Guzmán

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