Cúpula do Brics é encerrada e presidência do grupo passa para a Rússia

A reunião foi convocada com objetivos modestos e, ao contrário de edições anteriores, não será seguida por um encontro regional de chefes de Governo, por conta dos atritos na região ─ Foto: Sérgio Lima/AFP

Após dois dias de encontros entre membros do BRICS, em Brasília, o Brasil encerra a presidência da cúpula e passa o bastão para a Rússia, que vai sediar o próximo encontro, no ano que vem.

Durante esta quarta e quinta-feira, o Brasil recebeu, pela terceira vez, a XI reunião do bloco, formado pelas economias emergentes do mundo: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Nesta quinta, último dia de evento, no Palácio do Itamaraty, o Presidente Jair Bolsonaro recebeu os presidentes dos países integrantes.

Durante a sessão plenária, os líderes do BRICS fizeram agradecimentos finais pela recepção no Brasil e apresentaram propostas para a continuidade da cooperação entre os membros.

O Presidente Jair Bolsonaro mencionou a importância da cooperação em tecnologia e inovação para o desenvolvimento da economia dos países. E ainda citou ações implementadas durante o ano que devem ser mantidas.

“Buscamos criar os meios práticos para que nossa cooperação ajude a assegurar as nossas economias a permanente atualização tecnológica exigida pela economia digital. Assim devem ser entendidas a rede de inovação, o instituto de redes futuras e a parceria do Brics para a nova revolução industrial. Por meio dessas instâncias, os nossos países podem aumentar a pesquisa científica, estimular a produção de bens e serviços inovadores e melhor capacitar profissionais”.

Agora novo presidente do BRICS até a próxima cúpula, o Presidente da Rússia, Vladmir Putin, citou o desejo de criação da plataforma BRICS de pesquisa em petróleo, gás e eficiência energética. O presidente russo ainda citou o que pretende realizar durante sua liderança, para fortalecer a cooperação entre os países.

“Uma das nossas principais metas é incrementar a eficiência do trabalho do Brics na implementação dos projetos de interesse conforme adotados nos últimos anos. O slogan da presidência russa é ‘Parceria estratégica do Brics em prol da estabilidade global, segurança compartilhada, inovação e crescimento’. Pretendemos realizar 150 eventos durante o perídoo da presidência da Rússia. Dedicaremos atenção especial para ampliar a nossa cooperação em matéria de política externa”.

Políticas de incentivo às mulheres empresárias foi um dos pontos defendidos pelo primeiro ministro da Índia, Narendra Modi. Também citou a importância da cooperação entre os países do BRICS no combate ao terrorismo, tráfico de drogas e o crime organizado que, segundo ele, afetam diretamente a economia de mercado.

O presidente da China, Xi Jinping, defendeu os acordos e cooperações multilaterais e fez críticas às políticas protecionistas. Também citou que a China vai buscar uma relação mais estreita com a América Latina e o Caribe.

Por fim, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, disse que o país pretende aumentar o escopo de produtos com valor agregado, porque, segundo ele, o comércio sul-africano deles é, prioritariamente, de matérias-primas para exportação, e por isso a intenção de estimular a diversidade da economia.

Após a sessão plenária, os líderes participaram de um diálogo com o Conselho Empresarial do BRICS e o Novo Banco de Desenvolvimento, fundado em 2014. Durante o evento, Jair Bolsonaro destacou a confiança no potencial da instituição para as economias dos países membros. Aos empresários brasileiros presentes, Bolsonaro se comprometeu a levar adiante as reformas que, segundo ele, o Brasil precisa.

Com o fim do encontro do BRICS, os líderes assinaram a Carta de Brasília, documento que formaliza o balanço dos dois dias de encontro e das reuniões que ocorreram, ao longo do ano.

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