Com derrota de Trump, “Bolsonaro ficou órfão de padrinho”, diz jornal francês

Destaque no jornal Le Figaro desta segunda-feira,9, é para reação do presidente brasileiro Jair Bolsonaro após à derrota de Donald Trump nas eleições americanas. ─ Fotomontagem: RFI

O jornal Le Figaro desta segunda-feira (9) destaca os desafios das maiores potências e dos principais parceiros dos Estados Unidos no mundo com a eleição dos democratas Joe Biden e Kamala Harris. A matéria cita a França, Alemanha, Rússia, China, Israel e também o Brasil, já que, com os resultados das eleições americanas, “Bolsonaro ficou órfão de seu padrinho”, o presidente Donald Trump.

O correspondente do Le Figaro no Brasil, Michel Leclercq, escreve que mais de 24 horas após a vitória de Biden, “o presidente brasileiro permanece estranhamente silencioso”. “A esperança é a última que morre”, teria dito Bolsonaro a seus apoiadores na última quarta-feira (4), quando a derrota de Trump parecia iminente.

Segundo os conselheiros do presidente, ele viveu a vitória de Biden como algo pessoal. Antes mesmo de se eleger, Bolsonaro tinha orgulho de se mostrar como um “Trump tropical”. Depois, não hesitou em exibir o que considerou “gestos de amizade” por parte do bilionário americano, como o convite para jantar em Mar-a-Lago, sua suntuosa residência na Flórida.

O sentimento de derrota não é à toa, avalia Le Figaro. Bolsonaro copiou muita coisa de seu “padrinho”, diz a matéria. Desde o frenesi dos tuítes, o jornal afirma que o presidente brasileiro, se espelhando em Trump, também defende teorias da conspiração, ataca a imprensa, rejeita o multilateralismo, desdenha as instituições, nega as mudanças climáticas, despreza os direitos humanos. “Essa proximidade se revelou com grande destaque durante a pandemia de Covid-19, quando Bolsonaro fez um CRTL C + CRTL V do posicionamento de Donald Trump”, afirma o jornal.

Brasil, vassalo dos Estados Unidos

Esse alinhamento total de Bolsonaro ao governo Trump – atitude que Le Figaro classifica como uma postura de “vassalo” e em ruptura com a tradição diplomática do Brasil – isolou o país do mundo. Apesar desse apoio incondicional, o Brasil teve que se dobrar, como os outros países, ao protecionismo de Trump sobre os produtos brasileiros.

O diário prevê que, com Joe Biden, o Brasil deve ficar fora da prioridades de Washington. O democrata, aliás, já ameaçou o governo Bolsonaro de “sérias consequências econômicas”, caso o desmatamento da Amazônia continue em ritmo desenfreado.

O jornal também destaca que os brasileiros já entenderam que Bolsonaro sai enfraquecido da derrota de Trump. “Uma das hashtags mais populares no Twitter do Brasil neste fim de semana era #BolsonaroEoProximo”, conclui Le Figaro.

Fonte: RFI

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