Política

Chilenos vão às urnas em eleição presidencial

Mulher vota em Santiago durante as eleições gerais no Chile em 21 de novembro de 2021 — Foto: Aliosha Márquez / AP

Os chilenos vão às urnas neste domingo (21) para escolher um novo presidente, senadores, deputados e conselheiros regionais. São mais de 4.400 candidatos para 485 cargos eletivos.

A votação começou às 7h30 e está prevista para acabar às 17h30.

A eleição presidencial deve ir para o segundo turno, entre o candidato da extrema direita José Antonio Kast e o da esqueda Gabriel Boric.

O candidato da extrema direita, José Antonio Kast, e o da esqueda, Gabriel Boric, votam no primeiro turno das eleições presidenciais no Chile em 21 de novembro de 2021 — Foto: Montagem g1/Fotos AP

Será a primeira vez em 16 anos que nem Sebastián Piñera nem Michelle Bachelet são candidatos a presidente do Chile.

Piñera é o atual presidente, mas enfrenta forte rejeição popular e acabou de escapar de um processo de impeachment. Bachelet é hoje alta comissária da ONU para os Direitos Humanos.

Michelle Bachelet cumprimenta Sebastián Piñera em cerimônia em que passou a faixa presidencial a ele em 2010 — Foto: Ivan Alvarado/Reuters

Veja abaixo uma lista dos candidatos à Presidência do Chile e qual é a intenção de votos de cada um na pesquisa Plaza Pública feita no dia 5:

  • José Antonio Kast (Partido Republicano): 25%
  • Gabriel Boric (Convergência Social): 19%
  • Franco Parisi (Partido da Gente): 10%
  • Yasna Provoste (Partido Democrata Cristão): 9%
  • Sebastián Sichel (Independente): 8%;
  • Marco Enriquez-Ominami (Partido Progressista): 5%
  • Eduardo Artés (União Patriótica): 2%

O voto é facultativo no país, e nas últimas duas grandes eleições a participação não passou de 50% do total de eleitores.

Em 2017, quando Sebastián Piñera foi eleito, a participação eleitoral foi de 46% no primeiro turno e 48% no segundo.

Para o Senado, onde o mandato é de oito anos, a eleição deste domingo só acontecerá em nove das dezesseis regiões do país.

Kast, o favorito de extrema direita

José Antonio Kast em campanha, em 11 de novembro de 2021 — Foto: Javier Torres/AFP

José Antonio Kast é um advogado conservador e representa a extrema direita. Em seu programa presidencial, ele propõe diminuir a presença do Estado nas instituições, reduzir impostos, privatizar empresas estatais e eliminar o Ministério da Mulher e da Equidade de Gênero.

Contrário ao aborto, Kast já divulgou fake news sobre o tema.

Ele é filho de imigrantes alemães que chegaram ao Chile em 1951 e sua família tinha uma fábrica de linguiças e uma rede de restaurantes.

Kast concorreu na eleição de 2017 e ficou na quarta colocação, com 7,93% dos votos. Ele foi do partido ultraconservador União Democrática Independente durante 20 anos e, em 2019, criou o Partido Republicano.

Boric: o candidato da esquerda

Gabriel Boric durante discurso em Valparaíso, em 18 de novembro de 2021 — Foto: Martin Bernetti/AFP

Gabriel Boric tem 35 anos e é o candidato da aliança de esquerda, que reúne o Partido Comunista e a Frente Ampla.

Em sua campanha, ele tem defendido um modelo de Estado semelhante ao de bem-estar social de alguns países europeus. Ele também propõe a criação de uma aposentadoria mínima de 250 mil pesos (cerca de R$ 1,7 mil).

O sistema seria financiado pela contribuição dos trabalhadores em atividade. Os trabalhadores da ativa pagam 10% atualmente, e Boric diz que a ideia seria aumentar gradativamente essa contribuição até 18% (e que uma parte do encargo seria pago pelo empregador).

Os outros candidatos

Sebastián Sichel tem 44 anos e é o candidato do governo Piñera. Na economia, defende o mercado livre aliado a um Estado forte.

Para ele, o modelo de Previdência seria parecido com o atual, mas iria quebrar o oligopólio dos atuais administradores de fundos de pensão para aumentar a competição. Ele diz que o modelo que ele prefere é algo parecido com o que existe na Austrália.

Yasna Provoste tem 51 anos e é a candidata dos democratas-cristãos. Ela é senadora atualmente e já foi ministra do ex-presidente Ricardo Lagos e de Michelle Bachelet. Uma das suas mais populares promessas de campanha é o reajuste do salário base dos professores.

Em seu programa eleitoral, ela prevê a criação de mais empresas públicas. Ela também acha que é necessário ter um plano de transição para o país pós-crise da Covid-19 e que visa neutralizar parte do impacto causado na economia pelos protestos sociais que eclodiram no país desde outubro de 2019.

Franco Parisi, candidato de direita, mora nos Estados Unidos e não pisou no Chile durante a campanha presidencial. Ele tem uma dívida de pensão alimentícia que já ultrapassa os 207 milhões de pesos chilenos (cerca de R$ 1,3 milhão).

Segundo turno

Kast e Boric devem ir para o segundo turno e o vencedor será quem tiver a menor rejeição, segundo o cientista político Javier Sajuria.

“O voto contra o Kast é possível, mas Boric e o Partido Comunista [que o apoia] também têm que enfrentar uma rejeição – não será imprevisível se, no segundo turno, a direita usar o apoio que o Partido Comunista dá a Boric”, afirma Sajuria.

Gabriel Boric (Convergência Social) e José Antonio Kast (Partido Republicano) são favoritos ao 2º turno no Chile — Foto: Martin Bernetti e Javier Torres/ AFP Photo

Após a ditadura de Augusto Pinochet, a democracia chilena teve anos de governos moderados que eram apoiados por uma coalizão ampla. Mas isso se enfraqueceu, diz o cientista político.

“Por um lado, houve um desgaste de uma coalizão que ficou 20 anos no poder, pois é difícil evitar más pratica políticas durante tanto tempo”, afirma Sajuria.

“Além disso, há uma noção, de que nos anos da Concertación [nome da coalizão] havia uma política mais moderada que era considerada capitalista ou liberal e que havia pouco questionamento a esse modelo.”

Novo presidente e nova Constituição

Apesar de o próximo presidente não estar envolvido diretamente na elaboração da nova Constituição, o plebiscito para aprová-la vai ocorrer no mandato de quem for eleito neste ano – e o próximo presidente pode influenciar na votação, diz Sajuria.

Kast já disse que, se houver algo que o desagrade, fará isso.

“Uma vez aprovada a Constituição, há uma série de reformas que precisam ser feitas para que o texto funcione de fato. Isso poderá levar anos ou ser mais rápido e vai requerer muita agilidade e habilidade do Executivo”, afirma o cientista político.

*Com informações de G1

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