Cehmo pede socorro

Foto: Kennedy Lyra/Blog da Floresta

O ano era 2016 e o Amazonas vivia um dos piores momentos da administração da Saúde pública.  O governador de então, José Melo, tomou algumas atitudes que tinham como principal objetivo economizar ao máximo o orçamento governamental.

Foram fechadas inúmeras unidades de saúde, comprometendo a rotina de outras unidades. Isso atrasou de maneira absurda o repasse para os profissionais terceirizados, inclusive clínicas que prestavam serviços ao estado, como a Clínica Renal de Manaus, que funciona na avenida Castelo Branco,  na Cachoeirinha. A direção da clínica citada não titubeou e ameaçou encerrar os serviços de hemodiálise conveniadas com o SUS.

Foto: Kennedy Lyra/Blog da Floresta

O governo estadual resolveu contratar mais uma unidade de diálise e para isso lançou um edital, onde o Centro de Hemodiálise Ari Gonçalves (Cehmo) ganhou a licitação, tendo começado a operar imediatamente na capital amazonense. A princípio se instalou, de forma emergencial, no quarto andar do Hospital Adriano Jorge, e somente em 2017, conseguiu inaugurar uma moderna clínica com profissionais qualificados e funcionando em três turnos.

A situação financeira deu um revés em meados de junho de 2017 quando começou a ocorrerem seguidos atrasos dos repasses governamentais, tornando a situação insustentável.  Já são mais de seis meses de atraso nos repasses. Isso além de comprometer o pagamento do corpo técnico operacional, compromete também a aquisição dos produtos químicos que são utilizados em sessão de hemodiálise.  A direção do Cehmo conseguiu emprestar o produtos que duram cerca de uma semana.

Foto: Kennedy Lyra/Blog da Floresta

Segundo uma fonte que participou de uma das reuniões com o vice-governador e secretário de Saúde Carlos Almeida, o mesmo tem demonstrado uma certa falta de tato em lidar com o assunto, decepcionando quem compareceu aos encontros. Fica claro que é necessário encontrar rapidamente meios de regularizar a situação dos terceirizados, pois de outra forma esse impasse irá afetar diretamente os trezentos pacientes renais crônicos existentes, que terão de deixar a capital amazonense em busca de outras localidades fora do estado onde exista um serviço público de hemodiálise que possa absorvê-los.

Essa situação está tirando o sono de pacientes como o parintinense José Antonio Prestes, que está fazendo o tratamento a cerca de dois anos e não vê a hora do imbróglio ser resolvido. “A preocupação é grande, pois nós só temos essa clínica para fazer o tratamento. Se fechar, olha o prejuízo! Terei que ir para São Paulo, Belém ou Curitiba”, falou um paciente preocupado.

Outra alternativa para amenizar esse sofrimento e que pode levar economia aos cofres públicos seria a Susam colocar em prática a Diálise Peritoneal, um método eficaz onde o paciente recebe o equipamento e faz na própria casa essa Diálise. Manaus é uma das poucas capitais brasileiras que não se faz esse tipo de tratamento. Em Belém é feito, assim como todo Nordeste e sul do país já fazem também esse tratamento com enorme sucesso.

Reportagem: Kennedy Lyra

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