Brasil é alvo de ‘psicose ambientalista’, afirma Bolsonaro a Merkel

No G20, Bolsonaro diz que Brasil permanece no Acordo do Clima de Paris. (Imagem: Reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira (28), na cidade japonesa de Osaka, onde participou de reunião do G20, que em conversa com a chanceler alemã, Angela Merkel, falou para ela que o Brasil é alvo de uma “psicose ambientalista”.

Às vésperas do encontro do G20, Merkel afirmou no parlamento alemão que via com “grande preocupação” as ações do governo brasileiro a respeito do desmatamento e que queria ter uma “conversa clara” com Bolsonaro.

“Conversei com ela, foi uma conversa tranquila. Em alguns momentos, ela arregalava os olhos, de maneira bastante cordial. Mostramos que o Brasil mudou o governo, e é um país que vai ser respeitado. Falei para ela também da questão da psicose ambientalista que existe para conosco”, disse Bolsonaro em uma entrevista à imprensa.

Antes, ao desembarcar no Japão, na quinta-feira (27), ele já havia afirmado que a Alemanha tinha muito a aprender com o Brasil na preservação ambiental.

Outro chefe de Estado que, também antes do G20, manifestou preocupação com o compromisso de preservação ambiental do Brasil foi o presidente francês, Emmanuel Macron.

Bolsonaro disse que teve com ele uma conversa parecida com a que teve com Merkel.

“Eu convidei [Macron] para conhecer a região amazônica. Falei para ele [de fazermos] uma viagem de Boa Vista a Manaus. É pouco mais de duas horas. A gente poderia até voar a uma altura mais baixa, demoraria mais tempo, em um avião da Força Aérea, para ele ver que não existe o desmatamento tão propalado”, afirmou Bolsonaro.

Na quinta, Macron havia dito que não fecharia o tratado de livre-comércio com o Mercosul se o Brasil não permanecesse no Acordo de Paris, que estipula medidas para conter o aquecimento global.

Bolsonaro mencionou na campanha eleitoral que poderia tirar o Brasil do Acordo de Paris, mas depois voltou atrás.

Nesta sexta, União Europeia e Mercosul anunciaram a conclusão do acordo comercial, em negociação havia 20 anos. Macron disse que um dos pontos-chave para o celebração do acordo foram garantias que Bolsonaro deu sobre meio-ambiente.

“O presidente Bolsonaro me confirmou o seu compromisso, ao contrário das preocupações que se podiam ter, com o Acordo de Paris e a luta pela biodiversidade”, disse o francês em entrevista.

Ao final do encontro do G20, os Estados Unidos se recusaram a reafirmar o compromisso com as metas do Acordo de Paris, ao contrário do que fizeram os outros 19 países.

Essa divisão existe desde que Donald Trump virou presidente dos EUA.

Pelo acordo, 200 países concordam em limitar o aquecimento global a menos de 2ºC. As políticas industriais atuais farão com que a média da temperatura global aumente em 3ºC até o fim do século, de acordo com um relatório da ONU.

Antes da cúpula, já se sabia que haveria esse desentendimento entre os EUA e os outros 19 países do grupo. O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que ele não aceitaria um texto final que omitisse a reafirmação sobre o acordo.

Para explicitar a discordância, o documento final da cúpula do G20 tem um parágrafo sobre o tema.

“Os Estados Unidos reiteram sua decisão de sair do Acordo de Paris porque ele desfavorece os trabalhadores e contribuintes americanos.”
fonte: g1

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