Boi Corajoso é bicampeão no Festival Folclórico de Benjamin

A apuração foi encerrada no início da noite do domingo
A apuração foi encerrada no início da noite do domingo

Benjamin Constant,  a 1.116 quilômetros de Manaus, no Alto Solimões, “avermelhou” na noite de ontem (27) com a conquista do bicampeonato pelo Boi Bumbá Corajoso no XXV Festival Folclórico Benjaminense, realizado pela Prefeitura de Benjamin Constant. O bumbá do bairro de Coimbra conquistou 421,5 pontos, contra 407,5 assinalado pelos jurados para o Boi Bumbá Mangangá que anda foi penalizado com a perda de dois pontos por infringir o regulamento.

A apuração foi encerrada já no início da noite deste domingo pelo presidente da Comissão Organizadora do festival, Jerimar Bento de Oliveira.

Centenas de torcedores das duas associações acompanharam a apuração no Centro Cultural Alcino Castelo Branco.

O troféu de campeão foi entregue pelo chefe de Gabinete da Prefeitura de Benjamin Constant, Bismark Sales Júnior representando a prefeita Iracema Maia da Silva (PSD) a presidente do Corajoso, Ricely Leandro Dácio que acompanhou a apuração das notas.

Os torcedores e integrantes do boi Corajoso explodiram de alegria já nas leituras das últimas notas.

O resultado refletiu em parte o que os bumbás apresentaram na arena nas noites dos dias 24 e 26. O Corajoso apresentou um melhor conjunto de organização folclórica.

O festival folclórico de Benjamin Constant segue nos mesmos moldes do festival de Parintins com a disputa entre os dois bumbás, Corajoso nas cores vermelha e branca e Mangangá, verde e branco.

O festival atraiu centenas de brincantes que residem na tríplice fronteira do Brasil, Colombia e Peru
O festival atraiu centenas de brincantes que residem na tríplice fronteira do Brasil, Colombia e Peru

A diferença está no fato de ao contrário do festival parintinense, cujos bumbás trabalham com receitas próximas a dez milhões, recursos oriundos de patrocinadores, os bumbás benjaminenses sobrevivem de parcos recursos que não ultrapassam a R$ 100 mil, oriundos basicamente da Prefeitura.

A escassez de recursos fez com que as diretorias produzissem o boi de arena em menos de 20 dias.

Apesar de ser um festival de proporções bem menores se comparados com Parintins, a festa atraiu milhares de pessoas nas noites de apresentação dos bumbás e dos shows musicais realizados na sexta-feira à noite, que contaram com a participação do grupo local Moá, banda colombiana Sound Trip e os cantores Arlindo Júnior representando o Caprichoso e o amo do Boi Garantido, Tony Medeiros. 

Apresentações

Para conquistar o bicampeonato, o Corajoso apresentou como tema a “Benjamin Constant, evolução cultural da Amazônia”, uma exaltação ao municípios cujos habitantes a denominam “capital cultural do Alto Solimões”. O Bumbá levou para arena 416 brincantes, distribuídos nas oito tribos, grupo de dança, batucada, vaqueirada e a banda musical.

O boi rival o Mangangá levou praticamente o mesmo número de brincantes.

A vitória do Mangangá foi desenhada na primeira noite, quando o bumbá apresentou um melhor conjunto, melhor desempenho de seus itens individuais. No domingo o bumbá voltou na visão dos jurados, a cantora Lucilene Castro, o profissional em teatro Fagner Coelho Ribeiro e o turismólogo Roosevelt Moldes de Castro.

Mais de cinco mil pessoas no festival

Uma cidade de pequeno porte com menos de 40 mil habitantes, Benjamin Constant recebeu neste XXV Festival Folclórico Benjaminense mais de cinco mil pessoas, entre benjaminenses radicados em outras cidades do Amazonas, Amazônia, Brasil e até mesmo do exterior, bem como visitantes das cidades peruanas de Islândia (Peru), Letícia (Colômbia), Tabatinga, Atalaia do Norte e São Paulo de Olivença.

Localizada na Fronteira entre Brasil e Peru, Benjamin Constant assim como Tabatinga é uma das portas de entrada de turistas na Amazônia brasileira. Somente no ano passado a cidade recebeu 15 mil turistas, a maioria vindo a partir da Colômbia.

Por ser uma cidade de pequeno porte e com uma economia incipiente, Benjamin conta com pouco mais de 300 leitos em sua pequena rede hoteleira, constituída de quatro hotéis e pequenas hospedarias. Todos foram ocupados durante quase cinco dias. Muitos visitantes deixaram de vir ao município por falta de vagas nos hotéis.

“Se eu tivesse mais quinhentos leitos estariam todos ocupados”, afirmou Gilberto Paiva, proprietário do Restaurante Hotel Cabanas, único a receber turistas. O Cabanas mantém um intercâmbio com agências de turismo receptivo na cidade colombiana de Letícia, que divide a fronteira seca entre o Brasil através de Tabatinga com a Colômbia.

Apesar do potencial turístico, Benjamin e Tabatinga nunca mereceram por parte do governo do Estado e Federal, atenção na área de turismo. Não há uma política voltada para o setor. As prefeituras das duas cidades não dispõem de recursos financeiros – sobrevivem de repasses constitucionais – para investir no setor e com isso gerar emprego e renda na região.

Na avaliação do comerciante Gilberto Paiva, o movimento em seu hotel e restaurante cresceu 30 por cento com o Festival Folclórico de Benjamin Constant.

“Isso é bom para todos porque circula um dinheiro extra para todos aqui na cidade”, avalia.

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