Bebê indígena enterrada viva em cova recebe alta

Criança será encaminhada provisoriamente a um abrigo até definição sobre a guarda dela - Foto: Arquivo

Apesar de ter recebido alta nesta segunda-feira (9), a criança continua na Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá. A Justiça decidiu que a menina, da etnia kamayurá, vai ser encaminhada provisoriamente ao abrigo do município de Canarana, enquanto são realizadas diligências para apurar familiares interessados e aptos para o exercício da guarda da menor.

A medida atende a pedido do Ministério Público de Mato Grosso. A avó e a bisavó são acusadas de enterrar a recém-nascida viva em uma cova no quintal de casa, em Nova Canarana. Ela foi resgatada sete horas depois por policiais que foram ao local após receberem uma denúncia.

Costume indígena

A avó alegou que a criança não chorou após o nascimento e acreditou que ela estivesse morta. Seguindo costume indígena, enterrou o corpo da menina no quintal da casa, sem acionar os órgãos oficiais.

Para o Ministério Público, o crime foi premeditado. A mãe da bebê tem apenas 15 anos e a família não aceitava a gravidez por ela ser mãe solteira.

Um homem se identificou como sendo pai da criança e se colocou à disposição para ficar com a menina. Um teste de DNA ainda será feito para confirmar a paternidade. O promotor de Justiça, Matheus Pavão afirma que a expectativa é que a criança passe o menor tempo possível no abrigo.

Entenda o caso

Uma criança foi desenterrada com vida por Policiais Militares (PMs) e civis, sete horas após ter sido sepultada pela bisavó. O fato aconteceu na cidade de Canarana (MT), a 800km de Cuiabá (MT), no dia 5 de junho. Ela foi levada para o Hospital Regional de Água Boa (MT). Com duas fraturas na cabeça e insuficiência respiratória, a sobrevivente passa bem.

A menina nasceu na etnia tamayura, no Parque Indígena do Xingu. A bisavó, Kutz Amin, 57, disse que ela nascera morta e apontou a cova para os PMs, chamados por uma enfermeira. O enterro aconteceu às 14h e os policiais souberam às 20h20. Eles cavaram para resgatar o corpo e, de repente, a recém-nascida começou a chorar.

Choro

“Nem a perícia, que fica em Água Boa, acreditava. Primeiro era para localizar o corpo, depois acioná-los. Não dá para descrever a sensação ao começar a cavar e ouvir o choro da criança. Deu um desespero para cavar ainda mais depressa, com as mãos, com cuidado. A bebezinha é tão pequenina. Coube nas duas mãos. Tantas horas depois de enterrada, é um milagre”. O relato é do major João Paulo Bezerra do Nascimento, comandante da 5º Companhia.

A mãe passou por avaliação médica antes de ir à delegacia. O pai do bebê, K.K , (idade não revelada), também é suspeito. Além de não assumir a paternidade, ele já estaria morando em outra aldeia com outra índia.

A bisavó chegou a dizer que a bebê teria nascido morta, de um parto prematuro. Mas a avaliação médica mostrou que a criança não é prematura e sim de gestação normal.

Sem comunicação

Mortes de recém-nascidos nas aldeias, por costume tamayura, não são comunicadas às autoridades. Uma enfermeira da Casa de Saúde do Índio (Casai), ao assumir o expediente, comunicou polícia e chefe do Casai.

Em decorrência do tempo, o local foi isolado pela equipe policial e acionada a Polícia Judiciária Civil para o trabalho da perícia técnica. Tudo estava pronto para constatar o óbito. Pelo fato de o pai não assumir a criança e a mãe ter apenas 15 anos, eles são suspeitos de tentar matar a recém-nascida.

Veja o vídeo do momento do resgate

Com informações do Portal do Marcos Santos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here