Alunas e professora da rede estadual desenvolvem revista digital durante a pandemia

Foto: Divulgação

O futuro é feminino. A frase que deu voz a um dos movimentos feministas mais famosos dos anos 1970 é muito bem representada por um grupo de estudantes e professora do Colégio Brasileiro Pedro Silvestre. Juntas, elas idealizaram, viabilizaram e executaram a revista digital Zine, lançada, oficialmente, na última segunda-feira (08/06). Com periodicidade quinzenal, o livreto abordará os mais variados temas relacionados ao universo adolescente, desde cinema à (sim) política, sempre partindo do ponto de vista e da realidade de oito alunas da rede estadual.

A ideia de dar voz às estudantes, valorizar e incentivar os seus conhecimentos sempre foi um pilar importante do projeto, afirma a professora de Educação Física Monique Cunha de Albuquerque. Ela conta que o embrião da revista digital nasceu “lá atrás”, durante um campeonato de quadribol, modalidade fictícia do universo literário de “Harry Potter”. Sim, você leu corretamente.

“Revisitei meu ‘álbum’ de projetos e me deparei com essa atividade que já havia realizado com alunos do Colégio Amazonense Dom Pedro II. Dentro dessa dinâmica, existia a imprensa esportiva, que produzia jornais impressos e os distribuía pela escola”, revelou Monique.

Em razão da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e do isolamento social, a educadora precisou, apenas, fazer algumas adequações: as reuniões de pauta migraram das salas de aula para os ambientes virtuais, como o Google Meet; o esporte deixou de ser foco principal e ganhou caráter editorial; e o produto final abandonou as folhas de papel e “renasceu” no universo digital, por meio da ferramenta Joomag.

“O que mais me motivou a resgatar essa ideia foi a saudade da rotina escolar. Nas minhas práticas, costumo valorizar bastante o conhecimento dos alunos, independente da faixa etária ou do nível de aprendizado em que se encontram. Acredito que todos têm consigo alguma sabedoria ou conhecimento e isso tem que ser valorizado e explorado, sempre. Dinâmicas assim são importantes e fazem falta”, acrescentou a professora.

Liberdade criativa – Ao todo, oito estudantes aceitaram se aventurar no mundo do Jornalismo com Monique. São elas: Maria Antônia Nogueira, Natty Leal, Becca Thauany, Flávia Oliveira, Lara Juliana, Ivana Lima, Sara Tayla e Maria Eduarda Leite. O grupo se reúne virtualmente às terças-feiras e aos domingos, para discutir pautas e desenhar o corpo da edição.

Em sua estreia, a Zine abordou games, cinema, arte, política e as manifestações contra o racismo, que estão acontecendo em todo o mundo, desde a última semana, fora os conteúdos típicos dos semanais brasileiros, como horóscopo. Para a segunda edição, as alunas selecionaram temas ainda mais variados e atuais, como feminismo, racismo, homofobia e volta às aulas pós-pandemia, dentre outros. “A voz da revista é a dessas jovens. É o que elas estão pensando e querendo expressar”, frisou a educadora.

Entusiasta política, a estudante Maria Antônia defende a importância do tema ser debatido e trabalhado desde cedo na vida dos alunos. “Minha primeira matéria teve como intuito conscientizar os outros estudantes sobre o racismo e mostrar a eles o que estava acontecendo no mundo, sobre o assunto. Nesta segunda edição, vou falar um pouco sobre machismo e feminismo e de que maneira os dois afetam a sociedade”, adiantou Maria.

Responsável por escrever sobre games no lançamento da Zine, Natty Leal indicou “Beach Buggy Racing 2”, um jogo de corrida que inclui poderes, atalhos e easter eggs (segredos escondidos em programas, sites ou jogos eletrônicos). Para o seu segundo trabalho autoral, ela resolveu abordar um assunto mais voltado à sociedade.

“Em especial, preferi falar sobre a homofobia. Achei esse tema bem interessante e é algo que muitas pessoas praticam, infelizmente. Tenho um primo gay que sofre muito com isso e, na segunda edição da revista, ele vai me ajudar dizendo situações pelas quais já passou e comentários desagradáveis que as pessoas falam”, pontuou Natty.

Em sua matéria de estreia, Becca Thauany buscou levar um pouco de otimismo e positividade às pessoas em razão da pandemia. Agora, ela se prepara para escrever um poema sobre racismo. “Tenho muito interesse por artes e poemas. Estamos passando por um momento difícil por conta do racismo e, por isso, resolvi escrever um poema sobre esse assunto. Vou começá-lo ainda hoje!”, finalizou.

O trabalho realizado pelas alunas e por Monique pode ser conferido no link: https://bit.ly/2MNOwi4.

*Com informações da assessoria

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