A política como profissão

Nas democracias modernas o cidadão tem o direito de participar diretamente das decisões de governos ou de delegar poder, por meio de eleições periódicas, para que outros lhe represente, como deputados, senadores e vereadores, tendo como princípio o interesse coletivo. Entretanto, nos seus estudos sobre os fenômenos no campo da política, o sociólogo alemão Max Weber identificou um sujeito especializado e esperto, o político profissional, que nem sempre cuida do interesse social e republicano.

O político profissional faz da política uma atividade lucrativa, busca sempre mordomias e vive envolvido em escândalos de corrupção, além de tratar o eleitor como mera mercadoria nas eleições. Não importa a ideologia dos governos ou siglas partidárias, o profissional da política sempre estará presente. Ele é um tipo de sujeito que se prolifera na realidade da política da brasileira e está presente nas Casas Legislativas e nos governos.

A atual composição do Congresso Nacional e a formação ministerial do Governo Federal são bons exemplos do imenso poder desses profissionais. Entre eles, pode-se apontar, os Coelhos, os Mendonças, os Calheiros, os Neves, os Maias, os Barbalhos, os Bolsonaros e outros membros de famílias que há décadas têm na política o meio para alcançar status, mordomias e preservar o futuro das parentadas. Há Estados e municípios em que eles dominam secretarias de governo, a chefia do Legislativo, os conselheiros dos tribunais de contas e até mandam em alguns governadores e prefeitos que, muitas das vezes, são apenas seus prepostos.

Alguns adoram misturar fé religiosa com política partidária, usando o poder ou influência para conquistar os interesses das denominações religiosas e também os seus interesses, pois, geralmente, são políticos e gestores de igrejas. Outros se mantêm no poder pelo controle dos partidos, dos sindicatos e pelos negócios que as famílias detêm com as administrações públicas. Quando são atingidos por escândalos falam em aposentadorias, mas tão logo chegam as eleições, lá estão eles: articulando coligações, legalizando os partidos, recrutando jovens, orando nas igrejas e postando fotos nas redes sociais com pessoas humildes.

Muitos deles são pessoas afáveis e envolventes. Estão sempre fazendo elogios, convidando os amigos para passeios, nunca esquecem jornalistas, nas datas comemorativas têm sempre um presentinho, servem cafezinhos nos seus gabinetes, rezam pelos queridos, entregam medalhas ou comendas, tratam bem os fornecedores e têm um conjunto de assessores fazendo de tudo para agradar o chefe.

São profissionais que detêm conhecimentos da legislação eleitoral, da burocracia das organizações partidárias, dos métodos de conquistas de votos, dos tipos de acordos eleitorais, dos valores financeiros da boa política e também da corrupção, dos regimentos internos dos poderes da República e dos interesses de cada Poder. Os mais “capacitados” estão nas cúpulas dos poderes e ajudam a mover a cultura política e institucional do Brasil.

A autorização de verba pública eleitoral para adquirir bens móveis e imóveis, como mansões, helicópteros, aviões e carros de luxo, além da liberação de bilhões de reais em emendas parlamentar para agradar correligionários, são exemplos da força dos profissionais da política. Por isso, precisamos mudar. A política precisa ser espaço de cidadãos praticando cidadania e a defesa do interesse coletivo. Mantendo-se o quadro atual da política a democracia brasileira só irá reproduzir interesses menores.

*Por Carlos Santiago – Sociólogo, Analista Político e Advogado.

 

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